Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – O vôo direto que a Emirates Airlines, companhia aérea dos Emirados, vai inaugurar em outubro entre São Paulo e Dubai deve ajudar a inserir novos produtos nas exportações do Brasil para o mundo árabe. "Sentimos que há uma demanda forte por frutas tropicais brasileiras no mundo árabe, mas sempre houve o obstáculo da demora para chegar ao destino. O setor de frutas e vários outros de produtos perecíveis vão se beneficiar com o vôo", disse ontem (19) o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., em coletiva de imprensa que ele e o diretor da Emirates Brasil, Ralf Aasman, deram após almoço com jornalistas e empresários na sede da Câmara Árabe, em São Paulo.
De acordo com o diretor da Emirates Airline Brasil, Ralf Aasman, cada vôo terá capacidade para levar 12 toneladas de carga. A Emirates SkyCargo, empresa da área de logística que pertence ao mesmo grupo que a Emirates Airline, já transporta cargas do Brasil para o mundo árabe, mas por meio de uma parceria com a Scand Air Cargo e em vôos de outras companhias, não diretos. Eles são transportados até a Europa por empresas brasileiras, de onde embarcam em aviões da Emirates. A partir de outubro, porém, os produtos levarão apenas cerca de 15 horas para chegar a Dubai. Os navios normalmente precisam de cerca de um mês para chegar com as cargas do Brasil ao mundo árabe.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camaraão (ABCC), Itamar Rocha, era um dos empresários presentes ontem no almoço na Câmara Árabe. De acordo com ele, o vôo deve facilitar também as exportações de camarões do Brasil para os países árabes. O país, segundo ele, ainda não vende camarão para a região, mas têm interesse em fazê-lo e também em vender tecnologia de cultivo de camarão para países como Arábia Saudita e Kuwait que estão investindo neste segmento. "O vôo deve ajudar muito", diz Rocha. Ralf Aasman afirma que a empresa já está recebendo solicitação de transporte de cargas nos vôos diretos e que entre as demandas estão produtos congelados.
Em entrevista concedida anteriormente à ANBA, executivos da SkyCargo afirmaram que a empresa pretende operar também aviões exclusivos para cargas entre Dubai e São Paulo um ano após o lançamento do vôo comercial. A linha Dubai-São Paulo vai usar aviões Boeing 777-200 LR. O primeiro vôo sairá de Dubai às 10h30 da segunda-feira, 01 de outubro, e chegará em São Paulo no mesmo dia, às 18h30. Já o vôo de São Paulo decolará às 1h25 da terça-feira, 02 de outubro, e chegará em Dubai às 23h25. Serão ofertados seis vôos por semana, todos os dias menos na sexta-feira. As passagens, ida e volta, custarão a partir de US$ 1.355 na classe econômica, US$ 7.300 na executiva e US$ 10.200 na primeira classe.
O diretor da Emirates Airline Brasil acredita que os primeiros vôos terão mais de 70% de ocupação. São Paulo vai ser o segundo destino que a empresa vai operar nas Américas. O outro é Nova Iorque, para onde a companhia aérea tem três linhas diárias. De acordo com Aasman, a opção pela capital paulista foi feita em detrimento de outras capitais sul-americanas, em função do volume de negócios com o mundo árabe e do potencial de passageiros. "Como o maior foco de São Paulo, como centro comercial, é o turismo de negócios, vai facilitar muito a vida dos executivos", disse Luciane Leite, diretora de Turismo da São Paulo Turismo, órgão de turismo do município de São Paulo. Ela participou do almoço ontem.
Os empresários esperaravam com ansiedade a abertura de um vôo direto. Na missão que a Câmara Árabe e Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) vão promover em novembro para o Golfo Arábico, por exemplo, já será usada a linha da Emirates. Na Hajj, peregrinação muçulmana a Meca que ocorrerá em dezembro, os brasileiros também começam a se programar para voar pela Emirates, segundo o presidente da Câmara Árabe. O vôo deve transportar não só brasileiros, mas também pessoas de outros países da região, e levá-los não somente a Dubai, mas a outros países, com conexões, na África, Oceania e Ásia. Segundo Aasman, a companhia avalia a abertura de vôos diretos para outras cidades, como Cidade do México, Buenos Aires e Rio de Janeiro.
Luxo das Arábias
Quem voar pela Emirates de São Paulo a Dubai, pelo Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Guarulhos, terá direito a ser buscado em casa em um automóvel exclusivo, de acordo com Aasman. Terá, na primeira classe, tela de 23 polegadas, na executiva tela de 17 polegadas e na convencional de 10 polegadas. Além disso, mil canais com vídeos, jogos, documentários para assistir e acesso à internet. A Emirates oferecerá oito suítas na primeira classe, 48 assentos que se transformam em cama na executiva e 216 assentos na econômica. A Emirates terá parceria com a Varig para uso de suas salas VIP até que tenha as suas próprias no Aeroporto em Guarulhos.
A Emirates teve faturamento de US$ 8,5 bilhões no seu último ano fiscal, com lucro de US$ 942 milhões. A empresa opera com 105 aeronaves e foi a companhia aérea que mais adquiriu Airbus A-380, um total de 55 aeronaves, que começarão a ser entregues para a empresa em 2008. A companhia, que foi fundada em 1985 com dois aviões e capital de US$ 10 milhões, está construindo um terminal exclusivo no Aeroporto de Dubai. A Emirates tem em sua tripulação funcionários de mais de 100 nacionalidades e segundo Aasman está trabalhando para ter tripulantes que falem português em todas as suas rotas e não apenas na que envolverá o Brasil.

