Alexandre Rocha
São Paulo – O vôo da Emirates Airline entre Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e São Paulo tem tudo para ser um sucesso. Esta é a opinião do consultor aeronáutico Paulo Sampaio, que em entrevista à ANBA comentou o anúncio feito ontem (23) pela companhia de que vai começar a operar a rota a partir do dia 1° de outubro. A capital paulista será o primeiro destino sem escalas da empresa na América do Sul. Serão realizados seis vôos por semana, segundo a assessoria de imprensa da companhia.
"Dubai é um centro de tráfego aéreo muito grande. Além de atender todo o Oriente Médio, oferece conexões para destinos como China, Índia e Japão, que hoje são muito importantes para os passageiros brasileiros", disse Sampaio. "Essa rota terá um impacto grande, será um sucesso", acredita. Vão haver partidas de São Paulo todos os dias, exceto às sextas-feiras, e de Dubai também todos os dias, exceto às quintas-feiras.
Hoje, para chegar a países da Ásia e Oriente Médio, o passageiro brasileiro tem que fazer escalas ou pegar conexões na Europa, África do Sul ou nos Estados Unidos, no caso do Japão. A linha via Dubai deverá encurtar distâncias e diminuir o tempo de viagem para estes destinos, na avaliação do consultor. O vôo de São Paulo a Dubai terá duração de 14 horas e 40 minutos.
Como exemplo, ele citou o vôo já existente da South African Airlines entre São Paulo e Mumbai, na Índia, com escala em Joanesburgo. "Por Dubai será muito mais rápido", afirmou. Sampaio falou também de rotas para a Austrália e Nova Zelândia, destinos muito procurados por estudantes brasileiros, que hoje são feitas pelas Aerolineas Argentinas e Lan Chile com escalas em Buenos Aires e Santiago, respectivamente. "Agora os passageiros terão também esta opção via Dubai", declarou. Ou seja, a Emirates poderá atrair clientela de outras companhias internacionais e gerar maior competição.
Oferecer conexões para uma série de destinos no Oriente Médio e na Ásia para passageiros da América do Sul, e vice-versa, é justamente o objetivo da Emirates. "A companhia é muito boa em termos de qualidade, se ela entrar com uma tarifa competitiva vai fazer bonito", disse Sampaio. A empresa garante que seus preços serão competitivos, mas não divulgou valores até ontem.
De acordo com a companhia, a rota ao Brasil será operada com um jato Boeing 777-200LR, o primeiro de um pedido de 10 que serão entregues no futuro próximo. Os aviões terão oito lugares na primeira classe, mais 42 na classe executiva, 216 na econômica e capacidade para carregar até 18 toneladas de carga.
Segundo nota da assessoria de imprensa, o presidente da Emirates, Ahmed bin Saeed Al-Maktoum, disse que já faz algum tempo que a companhia quer expandir suas operações nas Américas. Hoje, no continente, ela só tem vôos para Nova York. "Estamos felizes por poder iniciar nosso serviço para a América do Sul quando recebermos nosso primeiro 777-200LR", disse Al-Maktoum, de acordo com a assessoria.
O executivo destacou, sempre segundo sua assessoria, que São Paulo é o principal pólo comercial do Brasil. É também o principal centro econômico da América Latina. Da mesma forma, de acordo com ele, "Dubai é a principal rota do Oriente Médio para negócios e turismo". "Acreditamos que esta ligação vai estimular ainda mais os negócios e o turismo entre essas duas prósperas economias", disse.
Executivo no Brasil
A empresa já escolheu um executivo para comandar seus negócios no Brasil. Trata-se de Ralf Aasmann, nomeado em dezembro para o cargo de diretor-geral. De acordo com ele, a empresa vai abrir um escritório em São Paulo – o que deve ocorrer em fevereiro – e começar a contratação de pessoal local. "Estamos ansiosos para trabalhar mais perto dos nossos parceiros comerciais no Brasil, para fazer com que esse serviço seja um sucesso, e para promover o Brasil como destino de viajantes de outras cidades da rede global da Emirates", disse ele, segundo a assessoria de imprensa.
Desde a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao mundo árabe, em dezembro de 2003, existe a expectativa da companhia operar uma rota para o Brasil. Em junho de 2004, autoridades aeronáuticas dos Emirados estiveram no país e assinaram um acordo aéreo que permite até 14 freqüências semanais. Não há um vôo direto entre o Brasil e o mundo árabe desde que a libanesa Middle East Airlines cancelou sua rota em 1998.
A companhia dos Emirados Árabes já emprega hoje 80 brasileiros, homens e mulheres, que trabalham como comissários de bordo. Fundada em 1995, ela tem crescido em média 20% ao ano, segundo sua assessoria, e hoje conta com uma frota de 101 aeronaves. A empresa voa para 87 cidades em 59 países na Oceania, Ásia, África, Europa, Oriente Médio e América do Norte.

