São Paulo – A VPJ Alimentos obteve certificação halal em setembro do ano passado e projeta começar a exportar para os países islâmicos até o final de 2026. A empresa tem capacidade para abater 12 mil cabeças de ovinos por ano e pretende exportar toda a produção dessa carne.
De acordo com a supervisora de exportação da VPJ, Beatriz Menaldo, obter a certificação foi uma necessidade que surgiu a partir dos próprios clientes. Com essa demanda, no começo de 2025 a companhia começou o processo de obtenção da certificação halal. Segundo Menaldo, a planta da VPJ em Jundiaí, no estado de São Paulo, é dedicada exclusivamente ao processo de carne de ovinos, o que facilitou a obtenção da certificação.
“Já temos várias certificações nos nossos produtos e, quando vimos que isso [certificação halal] conseguiria atingir um mercado maior, fomos atrás para conseguir mesmo agregar valor ao nosso produto e atingir um público que a gente ainda não atingia”, disse.

“A planta já estava super adequada. A gente conseguiu tranquilamente a certificação. Tivemos que investir na capacitação dos colaboradores em geral, da equipe toda que está envolvida no processo halal”, afirmou, sobre os treinamentos a respeito das questões culturais. Halal são produtos que podem ser consumidos pelos muçulmanos e são uma garantia de que não contêm traços de produtos que não são permitidos, como carne suína e álcool, por exemplo.
A VPJ trabalha, também, com carne suína e bovina, mas essas são processadas em outra unidade da empresa, na cidade de Pirassununga, também no estado de São Paulo. A produção de carne de ovinos deverá ser inteiramente dedicada à exportação à medida que as vendas ao exterior crescerem. Os mercados-alvo da VPJ para carne de ovinos são países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, além de Norte da África. Potenciais clientes do Egito e do Marrocos, disse a supervisora de exportação, já demonstraram interesse no produto.
Embora a maior parte da produção de ovinos brasileiros sejam ovelhas da raça Santa Inês e se concentrem no Nordeste do País, os animais fornecidos à VPJ são procedentes, principalmente, de produtores de São Paulo e Minas Gerais, estados do sudeste brasileiro, e são da raça dorper: um cruzamento da sul-africana Dorset Horn com a iraniana Blackhead persian. Segundo Menaldo, é uma raça que resulta em maior rendimento por carcaça e carne de melhor qualidade, mais macia e saborosa, que atende às exigências do mercado dos países do Golfo. Inicialmente, a demanda dos clientes islâmicos é pela carcaça do animal para ser processada nos países de destino do produto. A empresa, porém, oferece cortes com maior valor agregado.
“A gente consegue atingir os mercados mais exigentes por conta de ser um produto premium. Então, a gente trabalha com cordeiros dorper. É uma carne de altíssima qualidade, que tem marmoreio, tem suculência, uma suavidade. É um produto diferenciado do que geralmente o mercado costuma oferecer”, diz.


