São Paulo – A escuderia Williams de Fórmula F1 e o Qatar Science & Technology Park (QSTP) firmaram um acordo para a criação do Williams Tecnology Centre (WTC), centro de pesquisas tecnológicas da escuderia, segundo informa o site árabe de notícias financeiras AMEInfo. O WTC ficará no QSTP, pólo científico e tecnológico no país do Golfo Arábico, onde estão instaladas empresas como Shell, Qatar Petroleum, Total e Exxon Mobil, do setor petrolífero, Rolls-Royce e EADS, do setor de aviação, e também a GE, do setor elétrico, além da Microsoft.
O WTC será o primeiro centro de pesquisas de Fórmula 1 fora da Europa. Inicialmente serão desenvolvidos dois projetos partindo do esporte automobilístico e mirando o mercado comercial. A primeira é o volante com Composto Magneticamente Carregado (MLC), sistema utilizado no KERS dos carros de Fórmula 1 – através do qual energia é captada no momento de frenagem para uso posterior, ampliando a potência do carro por alguns segundos. O outro sistema a ser desenvolvido para uso comercial é o de simuladores, cuja tecnologia e know-how devem ser aplicados ao setor de veículos de passeio.
O projeto do volante MLC estudará o potencial de rápido armazenamento e descarga de energia, o que garante à aplicação utilidade em uma série de casos. O foco inicial estará nos sistemas de transporte públicos, onde a tecnologia poderá ser utilizada na reciclagem da energia desperdiçada em trens e bondes e também possibilitará o desligamento da rede elétrica em alguns períodos, reduzindo assim o custo da infraestrutura. Outro uso desta tecnologia poderá ser em estabilização de energia em unidades que utilizem energias renováveis.
O segundo projeto, baseado na tecnologia de simuladores da escuderia de Fórmula 1, incluirá o desenvolvimento de novos sistemas de simulador para treinamento em veículos de passeio, além de simuladores de competição para outras categorias esportivas. Com as atuais restrições ao volume de testes na categoria, desenvolveu-se uma avançada tecnologia de simuladores.
O WTC deve empregar 20 pessoas e deverá ter orçamento de dezenas de milhões de dólares. Seu faturamento vai beneficiar tanto a Williams F1 quanto a QSTP. Segundo CEO da QSTP, Tidu Maini, “a colaboração com a Williams F1 é inspiradora e tem como base um contexto comercial sólido. A QSTP entrará com programas de treinamento de talento, focando jovens cidadãos catarianos”.
O presidente da escuderia de Fórmula 1, Frank Williams, declarou que esta oportunidade é inovadora no circo de Fórmula 1 e apresenta uma oportunidade imperdível. “Após detalhada consideração”, disse, “decidimos que esta é uma oportunidade que não podemos deixar passar. Aguardamos ansiosamente a participação da Williams F1 no desenvolvimento de aplicações para o mercado consumidor, inspiradas na Fórmula 1."
O WTC ocupará uma área de 45 mil metros quadrados e faz parte da estratégia da Qatar Foundation, proprietária da QSTP, de investir em uma economia de conhecimento. A QSTP e Williams F1 custearão os programas de pesquisa e desenvolvimento (P) e, como parceiras, dividirão os lucros gerados a partir destas tecnologias provenientes do esporte.
O QSTP é uma incubadora de ponta para pesquisa, desenvolvimento e comercialização de novas tecnologias. Ele faz parte do Qatar Foundation, que inclui também a Education City (Cidade da Educação), onde estão localizadas seis universidades americanas: a Virginia Commonwealth University (que oferece cursos de artes e design), Weill Cornell Medical College (medicina), Texas A&M University (engenharia), Carnegie Mellon University (ciência da computação, administração de empresas e sistemas de informação), Georgetown School of Foreign Service (relações internacionais) e também a Northwestern University (jornalismo e comunicação).
Além da Education City e QSTP, a Qatar Foundation inclui também o Fundo Nacional de Pesquisa do Catar (QNRF), o Centro e Instituto Rand de Políticas do Catar e o Centro de Pesquisa e Medicina Sidra.
*Com informações da redação da ANBA. Tradução de Mark Ament

