São Paulo – O xeque Abdul Aziz Al Nuaimi, conselheiro de assuntos sobre o meio ambiente e petróleo de Ajman, nos Emirados Árabes Unidos, vem ao Brasil para discutir projetos e oportunidades de negócios relacionados à energia limpa e também para falar sobre a importância da preservação dos recursos naturais.
Ele chega ao país no dia 13 e dará início à agenda de compromissos oficiais já no dia seguinte. O xeque será recebido pelo prefeito de Canoas, no Rio Grande do Sul, Jairo Jorge, e pela secretária estadual de Meio Ambiente, Jussara Cony.
De acordo com Daniela Ernest, consultora do banco islâmico Makaseb, responsável pela visita de Al Nuaimi ao Brasil, Jussara irá apresentar os projetos para a preservação do meio ambiente no Rio Grande do Sul, como os relacionados à energia eólica. O contato entre Canoas e os Emirados Árabes começou em 2009, quando o prefeito da cidade visitou o país do Golfo e teve reuniões na Câmara de Indústria e Comércio de Abu Dhabi.
Daniela afirma que o xeque também tem interesse em conhecer projetos relacionados ao biodiesel e ao uso da energia solar. "Ele busca parcerias no desenvolvimento de projetos, como por exemplo, parques tecnológicos que envolvam a criação de incubadoras empresariais para o desenvolvimento de softwares (na área de meio ambiente)", destacou. O desenvolvimento de projetos tecnológicos para o uso de energia limpa também será tema do encontro entre o xeque e o governador gaúcho, Tarso Genro, marcado para o dia 14.
Centro islâmico
Na quinta-feira (15), Al Nuaimi irá a Brasília, onde será recebido na Câmara dos Deputados, pelo presidente da casa Marco Maia. Segundo Daniela, o xeque deverá agradecer ao deputado, que é gaúcho, pelo constante apoio dado à comunidade palestina no Rio Grande do Sul e também para seus projetos no estado.
O xeque está envolvido com a construção de um centro islâmico na cidade de Canoas, que ocupará uma área de dois hectares, cedida pela prefeitura da cidade. O centro abrigará uma mesquita, uma escola, uma biblioteca, um centro de convenções e uma quadra poliesportiva.
A primeira fase do projeto, a construção da mesquita, custará R$ 5 milhões, dinheiro que está sendo captado pelo Makaseb junto a investidores árabes, como a empresa egípcia EgyBelg, entre outros, conta Daniela. As obras devem ter início no segundo semestre deste ano.
A escola, segunda fase do projeto, irá oferecer aulas para estudantes da comunidade árabe e também para crianças carentes, do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, além de ensino da religião islâmica e de línguas estrangeiras, como árabe e inglês. Já a biblioteca deverá contar com livros de estudos religiosos e de literatura árabe.
Um dos destaques da obra do centro islâmico é o fato de que seu projeto foi concebido sob o conceito de "green building", ou "construção verde", aquela que é feita sem agressões ao meio ambiente e com baixas emissões de carbono, trabalho que foi apoiado por Al Nuaimi.
Negócios verdes
De acordo com Daniela, Al Nuaimi também fará duas palestras em Canoas, uma para estudantes e outra para empresários. Aos homens de negócios, Al Nuaimi falará sobre os projetos ecológicos que estão sendo desenvolvidos em Ajman. "Ele também destacará a importância das empresas em não poluir, será uma conscientização do empresariado", relata. Segundo a consultora, foram convidados executivos de empresas como Petrobras, Braskem e Ventos do Sul.
O evento voltado para estudantes reunirá alunos de engenharia ambiental e abordará a importância da preservação do meio ambiente para as futuras gerações. Al Nuaimi também participará de encontros com a comunidade muçulmana do Rio Grande do Sul. O xeque deixa o Brasil no domingo, dia 19.

