Brasília – A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Dona Zilda Arns Neumman, é uma das vítimas brasileiras do terremoto que atingiu ontem (12) Porto Príncipe, capital do Haiti. A informação é da líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), que esteve hoje (13) no Palácio do Planalto e que acompanhou toda a movimentação do staff presidencial para o recolhimento de informações.
Segundo ela, todos os contatos estão sendo feitos pelo chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que já conversou com parentes, inclusive com o senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda. O parlamentar embarca para o Haiti junto com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
"Parece que ela estava nas ruas de Porto Príncipe no momento do terremoto e teria sido atingida por algo”, disse Ideli Salvatti. No Palácio do Planalto, a mobilização de ministros e assessores do presidente “é total”, afirmou a líder do governo no Congresso.
Até agora foram confirmadas também as mortes de quatro militares brasileiros que integravam a força de paz da ONU que atua no país, comandada pelo Brasil.
A médica viajou neste final de semana para encontro missionário em uma entidade chamada CIFOR.US e estava hospedada na sede episcopal. De acordo a assessoria de Zilda Arns, a coordenadora estava no Haiti para levar a metodologia de atendimento da Pastoral da Criança no combate à desnutrição.
O desaparecimento de Dona Zilda, de 75 anos, foi confirmado à Agência Brasil pelo filho Rubens Arns. Segundo ele, o último contato com a mãe foi feito no sábado (09).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a tragédia ocorrida ontem no Haiti e a morte de Zilda. A informação foi dada pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ao deixar reunião com Lula na manhã de hoje. “O presidente está absolutamente chocado com a toda a situação”, disse.
Sobre a morte de Zilda Arns, Amorim disse que Lula “lamentou muitíssimo” o desaparecimento de uma pessoa de grande projeção no país que estava no Haiti em trabalho de assistência humana. Amorim também se disse consternado com a notícia.
O governador do Paraná, Roberto Requião, que está em Brasília, decretou luto oficial de três dias no estado pela morte de Zilda. No twitter, Requião afirma que perdeu uma grande amiga, e sua morte representa grande perda para o Brasil e dor para os amigos.
Zilda Arns Neumann, 75 anos, médica pediatra e sanitarista, foi fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Era representante titular da CNBB, do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Nascida em Forquilhinha (SC), residia em Curitiba, capital do Paraná, tinha cinco filhos e dez netos. Ela escolheu a medicina como missão e dedicou-se à saúde pública.
Em 1980 foi convidada para coordenar a campanha de vacinação Sabin, de combate à primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), e criou um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.
Em 1983, a pedido da CNBB ela criou a Pastoral da Criança junto com Dom Geraldo Majela Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, que na época era Arcebispo de Londrina. Foi então que desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres.
Ela dizia que a educação das mães por líderes comunitários capacitados era a melhor forma de combater a maior parte das doenças que pode ser facilmente prevenidas e a marginalidade das crianças.
A Pastoral acompanha mais de 1,9 milhões de gestantes e crianças menores de seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, em 4.063 municípios brasileiros. São mais de 260 mil voluntários. O método de trabalho da entidade foi replicado em diversos países.
Por seu trabalho na área social, Zilda Arns recebeu diversas condecorações. Em 2006 foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz junto com mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, de uma associação suíça. Ela era irmã do arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

