São Paulo – O diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, visitou nesta quinta-feira (17) a Zona Franca de Nouadhibou, parque industrial e de logística localizado no litoral da Mauritânia. Foi o último compromisso do executivo numa viagem de três dias ao país africano para prospectar oportunidades de negócios para empresas brasileiras.
De acordo com ele, a zona franca foi criada em 2013 com o objetivo de atrair investimentos para as áreas de mineração, petróleo e gás, armazenagem, navegação, indústria da pesca, tecnologias da informação e turismo. “Nouadhibou tem recursos minerais (minério de ferro), pescado em abundância, petróleo e gás e potencial turístico”, afirmou.
Segundo Alaby, o presidente da zona franca, Mohamed Ould Daf, disse que a cidade portuária é a capital econômica do país e está numa posição geográfica “central”, próxima da Europa e das Américas, e das principais rotas das companhias de navegação, “e faz uma interface ativa entre a África e o espaço do Mediterrâneo”.
A zona franca engloba 72 mil hectares de área terrestre e 60 mil hectares de espaço marítimo, com potencial de produção de 1,5 milhão de toneladas de pescado por ano, capacidade para exportar 12 milhões de toneladas anuais de minério, além da existência de minas de cobre, gesso e sal marinho.
A infraestrutura existente conta com terminais de contêineres, de minérios e de petróleo e gás, área para reparação de navios, acesso a outros modais de transporte, como ferrovia e rodovias, e energia elétrica subsidiada.
Entre os incentivos dados aos investidores estão a isenção total de impostos até o sétimo ano de operação da empresa, isenção de tributos na importação de máquinas, equipamentos e matérias-primas, autorização total para transferência de capitais sem necessidade de controle pelo banco central e solução de disputas jurídicas por meio de arbitragem internacional.
Para abrir um negócio lá, de acordo com Alaby, funciona um sistema de guichê único, ou seja, toda a burocracia é resolvida com um único órgão. O executivo acrescentou que até agora foram apresentados 210 projetos a este guichê único, sendo que 125 estão em funcionamento. Os empreendimentos são de investidores da própria Mauritânia e também da Espanha, Marrocos, Bélgica, Itália, França, China, Grécia e Lituânia.
Alaby destacou que a zona franca tem recursos do Banco Mundial para financiar atividades ligadas à pesca (US$ 20 milhões) e à mineração (US$ 30 milhões). Há acordo também com a Corporação Islâmica de Desenvolvimento do Setor Privado, um braço do Banco Islâmico de Desenvolvimento, com sede na Arábia Saudita, além de uma parceria estratégica com a Zona Franca de Ácaba, na Jordânia, e está em negociação um acordo com a autoridade portuária de Dubai para administrar os terminais marítimos.
Alaby foi a Nouadhibou acompanhado do presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura da Mauritânia, Mohamedou Ould Mohamed Mahmoud. Participou do encontro também o secretário-geral da zona franca, El Helianto Ould Cheia.


