A esfiha é nossa

Em nenhum outro país a culinária do Oriente Médio teve tanta influência quanto aqui. Assim, delícias como esfiha e quibe estão nos restaurantes, na lanchonete da esquina, na rotina dos brasileiros.

Isabela Barros
isabela@anba.com.br

S√£o Paulo – De t√£o amados, eles j√° viraram patrim√īnio nacional. Ou algu√©m ainda v√™ fronteiras de paladar em se tratando de del√≠cias como o quibe e a esfiha? A influ√™ncia da gastronomia √°rabe entre n√≥s, aqui incorporada como em nenhum outro pa√≠s fora do Oriente M√©dio, √© antiga e profunda, tendo deixado marcas fortes na mesa brasileira. No nosso gosto pelas especiarias, perfumes e sabores marcantes. Tamanha sintonia inspirou o professor de Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, em S√£o Paulo, Ricardo Maranh√£o, a pesquisar o assunto, numa busca que resultou no livro √Ārabes no Brasil – Hist√≥ria e Sabor, lan√ßado este ano pela editora Boccato.

‚ÄúA influ√™ncia √°rabe na gastronomia brasileira pode ser entendida a partir de dois momentos: o primeiro deles √© a pr√≥pria heran√ßa moura em Portugal, com a Pen√≠nsula Ib√©rica‚ÄĚ, explica Maranh√£o. ‚ÄúDepois, j√° no Brasil, com a chegada dos primeiros imigrantes, no final do s√©culo 19‚ÄĚ, diz.

Segundo o professor, √© por causa dos √°rabes que n√≥s usamos ingredientes como lentilha e gr√£o de bico, al√©m de condimentos como a pimenta s√≠ria e o zaatar, entre outros. ‚ÄúA comida √© um elemento importante de refor√ßo da identidade do imigrante‚ÄĚ, afirma Maranh√£o. ‚ÄúUm bem do qual as fam√≠lias n√£o abrem m√£o‚ÄĚ, diz.

Dessa forma, devido √† imigra√ß√£o para praticamente todo o pa√≠s, a gastronomia √°rabe ganhou tanto espa√ßo por aqui. Foi assim, ali√°s, que ele pr√≥prio tomou gosto pelas iguarias das ar√°bias. ‚ÄúPassei a inf√Ęncia em S√£o Jos√© do Rio Preto e nossos vizinhos eram √°rabes‚ÄĚ, diz. ‚ÄúAprendi desde cedo a gostar dos pratos t√≠picos, minha m√£e fazia todos‚ÄĚ, conta. Entre os sabores inesquec√≠veis, est√£o charuto de uva e as balas de mel que os vizinhos faziam. ‚ÄúFico com √°gua na boca s√≥ de lembrar‚ÄĚ, conta.

De acordo com o professor, √© essa rela√ß√£o de total proximidade e cumplicidade entre os paladares que faz do Brasil uma refer√™ncia na gastronomia do Oriente M√©dio. ‚ÄúNunca estive num pa√≠s fora do mundo √°rabe onde a influ√™ncia dessa cozinha fosse t√£o forte quanto aqui‚ÄĚ, diz. ‚ÄúA esfiha e o quibe, por exemplo, s√£o t√£o presentes e acess√≠veis que j√° podem ser considerados iguarias brasileiras‚ÄĚ, explica. Em seu livro, que tamb√©m inclui receitas, Maranh√£o aponta a exist√™ncia de redes de fast food voltadas para esse tipo de comida em v√°rios estados, como a redes Habib‚Äôs, a maior delas, e Mister Sheik, entre outras.

Al√©m de destacar sabores como esses nas aulas da Anhembi Morumbi, Maranh√£o faz quest√£o de almo√ßar ou jantar num restaurante √°rabe ao menos duas vezes por semana. Em sua geladeira, pastas como homus e babaganuche s√£o t√£o essenciais quanto manteiga ou requeij√£o. ‚ÄúAdoro, comeria quibe todos os dias se pudesse‚ÄĚ, diz ele, apaixonado pelas del√≠cias das ar√°bias como a maioria dos brasileiros.

Serviço

√Ārabes no √Ārabes no Brasil – Hist√≥ria e Sabor.

Ricardo Maranh√£o e Est√ļdio Paladar.

Preço médio: R$ 69,00.

Veja abaixo trechos da entrevista com o professor Ricardo Maranhão em vídeo.

Publica√ß√Ķes relacionadas