Alexandre Rocha
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São Paulo – O canal em inglês da rede de TV Aljazeera, do Catar, quer apresentar aos seus telespectadores reportagens diferenciadas sobre o Brasil, que normalmente não são veiculadas dos por outras grandes redes internacionais, assim como o canal em árabe da emissora faz com o noticiário do Oriente Médio. "O objetivo é mostrar à nossa audiência – que é de mais de um bilhão de pessoas que falam inglês – coisas do Brasil que elas não conhecem e como o país interage com o resto do mundo", disse ontem (17) à ANBA o chefe do canal para as Américas, Will Stebbins, que está em São Paulo para formalizar um acordo de troca de material com o grupo Bandeirantes.
Segundo Stebbins, a emissora que ir "além do óbvio", veicular o noticiário factual, mas também explorar de maneira mais profunda assuntos como política, cultura e economia. "Não queremos cobrir somente notícias ruins, não queremos ir ao Rio só para cobrir o Carnaval", afirmou. "A indústria aeronáutica, por exemplo: tem gente que não sabe que a Embraer é brasileira. O Brasil é uma grande economia e queremos cavar coisas que não conhecemos ainda", acrescentou a editora de América Latina da rede, Lucia Newman, que também está em São Paulo.
A Aljazeera em inglês já tem um produtor em São Paulo, Gabriel Elizondo. De acordo com Lucia, metade do seu tempo ele passa fazendo reportagens especiais. Ela própria já esteve no país para fazer matérias diferenciadas, sobre o H-Bio, por exemplo, diesel que leva óleos vegetais em sua composição desenvolvido pela Petrobras. "A produção de soja, o meio ambiente, a Amazônia são outros exemplos de assuntos de interesse", disse ela. "O desenvolvimento de energias alternativas é um tema que também interessa ao resto do mundo", acrescentou Stebbins.
O canal tem hoje uma sucursal em Buenos Aires, na Argentina, com a responsabilidade de cobrir a região do Cone Sul. Stebbins disse que a cidade foi escolhida por motivos comerciais, de custos e geográficos, mas ele reconhece que não dá para cobrir a América Latina sem cobrir o Brasil, que é o maior país da região. "Nosso planejamento de longo prazo prevê uma presença maior. Espero que no nosso segundo aniversário tenhamos um escritório aqui", afirmou. A Aljazeera em inglês está completando um ano de funcionamento.
Lucia acrescentou que, apesar de estar em Buenos Aires, a sucursal do Cone Sul tem feito mais coberturas no Brasil do que em outros países da região. "A gente vem muito para cá", afirmou. Lá a emissora tem dois correspondentes. Com esta mentalidade, a emissora quer dar "furos", ou seja, dar informações antes de outras redes de língua inglesa. "E não só sobre tragédias ou notícias ruins", declarou.
A Aljazeera em inglês tem também uma sucursal em Caracas, na Venezuela, que cobre outros países da América do Sul e do Caribe. A rede tem quatro centros de transmissão, com estúdios e apresentadores, em Doha, no Catar, em Kuala Lumpur, na Malásia, em Londres, na Inglaterra, e em Washington, nos Estados Unidos, onde Stebbins trabalha.
No Brasil, por enquanto, só é possível assisti-la com recepção de sinal de satélite, ou pela internet no site www.aljazeera.net/english . Stebbins disse, no entanto, que serão feitas negociações com operadoras de TV a cabo.

