Ambev mostra projeto sustentável de água em Dubai

No estande da Câmara Árabe na feira Wetex, a indústria de bebidas promove sua marca de água mineral Ama, cujos lucros são revertidos para gestão de recursos hídricos no semiárido brasileiro. A empresa quer compartilhar sua experiência com outras companhias.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – “Cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável”, disse à ANBA o representante de relações corporativas da Ambev, Richard Lee. Em março de 2017, a empresa de bebidas lançou a água mineral Ama, que tem 100% de seus lucros revertidos para obras de infraestrutura para levar água potável a regiões do semiárido brasileiro, região que mais sofre com a seca no País. Estima-se que até o fim deste ano, mais de 26 mil pessoas sejam atendidas em 20 comunidades da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

A Ama está presente no pavilhão brasileiro da feira do setor de água e energia de Dubai, a Wetex 2018. O estande é organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Segundo Lee, o objetivo da participação é inspirar outras companhias a desenvolver projetos semelhantes em seus países e também apresentar a água Ama como um produto sustentável. A mostra vai até esta quinta-feira (25).

“Queremos inspirar as empresas a desenvolver projetos de forma sustentável e, se quiserem comprar a água Ama, também vão ajudar as comunidades do Brasil. Quando a ideia é boa, deve ser compartilhada e estamos dispostos a conversar e ajudar as potenciais novas iniciativas, já que o Golfo é uma região tão ou mais sensível que o Brasil no sentido de acesso à água potável”, afirmou Lee.

Água mineral no pavilhão brasileiro da Wetex 2018, em Dubai

O lucro da Ama hoje está na casa dos R$ 2,7 milhões. Em cada comunidade é feito um diagnóstico para entender a causa principal do problema, e as soluções incluem a perfuração de poços profundos para captação de água, placas solares para baratear o custo de distribuição e garantir a sustentabilidade ambiental, revitalização de sistemas de distribuição inoperantes, construção de cisternas em escolas, juntamente com sistemas de reuso de águas cinzas, manejo de hortas e capacitações em meio ambiente, recursos hídricos sistemas de reuso.

Escassez de água no Oriente Médio

Relatórios do Banco Mundial trazem dados sobre a escassez de água no Oriente Médio e Norte da África. O levantamento “Gestão da Água em Sistemas Frágeis: Construindo Resiliência a Choques e Crises Prolongadas no Oriente Médio e Norte da África”, de 2018, informa que a escassez de água é generalizada em todo a região e está piorando. No passado recente, vários países do Oriente Médio e Norte da África vinham enfrentando dificuldades para administrar seus recursos hídricos de forma sustentável e expandir os serviços de abastecimento de água e saneamento de forma eficiente.

A estas dificuldades soma-se agora um fraco desempenho institucional que contribui para a intensificação dos desafios e uma deterioração dos serviços. O documento conclui que os fracassos institucionais para enfrentar os desafios relacionados à água podem atuar como multiplicadores de risco, agravando as situações existentes de fragilidade, e que  melhorar a gestão da água pode contribuir para construir resiliência diante de crises prolongadas. Leia o relatório completo em inglês aqui.

Outro relatório do Banco Mundial, “Além da escassez: a segurança da água no Oriente Médio e Norte da África”, de 2017, pontua que a produtividade total de água na região é apenas cerca de metade da média mundial. Apesar da escassez, a região tem os impostos sobre a água mais baixos do mundo e a maior proporção do PIB (2%) gasto em subsídios públicos para a água. Os riscos de enchentes e secas estão aumentando e provavelmente prejudicarão os pobres de maneira desproporcional. Cerca de 60% dos recursos hídricos superficiais da região são transfronteiriços e todos os países compartilham pelo menos um aquífero, destacando a importância da gestão cooperativa de recursos hídricos compartilhados; e a região estima grandes perdas econômicas devido à escassez de água relacionada ao clima, entre 6% a 14% do PIB até 2050. Para ler o relatório completo em inglês, francês e árabe, clique aqui.

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