Marina Sarruf
São Paulo – Além de importar moda, os países árabes estão investindo na sua criação. Exemplo disso são as seis escolas de ensino superior de arte e técnicas de moda, a Esmod Internacional, tradicional instituição de ensino francesa, presente em cinco países árabes: Tunísia, Líbano, Síria, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. A Esmod conta com 22 escolas em 14 países e deverá ter unidades também na Jordânia e no Bahrein. "Eles já demonstraram muito interesse", afirmou o presidente da escola francesa, Nino Satoru.
De acordo com ele, as unidades em Riad, na Arábia Saudita, e em Dubai, nos Emirados Árabes, são as mais recentes do mercado árabe. Na Tunísia, por exemplo, onde existem duas escolas, uma em Túnis, capital, e outra em Sousse, a Esmod já está presente há 15 anos. "A presença em países árabes é importante para a troca cultural entre as escolas", afirmou Satoru, que esteve em São Paulo na semana passada para o encontro anual dos representantes das escolas Esmod no mundo.
Segundo ele, a Tunísia sempre teve tradição em produção têxtil por fabricar para Europa. "Mas agora eles estão começando a criar moda", disse Satoru. Para ele, quando um país começa a criar sua própria moda, passa a haver também uma demanda maior por roupas e acessórios ligados a novas tendências. Satoru disse ainda que com a abertura da Esmod na Arábia Saudita houve um movimento na escola para tornar as mulheres árabes mais independentes. "O curso é uma forma de abrir espaço para as mulheres árabes", acrescentou Satoru.
Ele lembrou também que as árabes são grandes consumidoras de produtos de luxo. Por baixo das abayas (manto preto que as mulheres muçulmanas usam) elas vestem vestidos de alta costura. "As mulheres sauditas são as maiores consumidoras de lingerie de luxo do mundo", disse Satoru.
Outro exemplo é no Líbano, onde as mulheres são muito vaidosas e ligadas à moda. "O Líbano é o país árabe que mais compra roupas de moda", afirmou o diretor da Esmod em Beirute, capital, Maroun Massoud, que também esteve em São Paulo. Segundo ele, cerca de 16 estudantes se formam por ano em estilismo ou modelagem no país árabe. No final desse ano, serão 25 formandos. "O curso forma profissionais de responsabilidade e com capacidade para criar e executar moda no Líbano e em outros países", disse.
O curso da Esmod tem duração de três anos e no Líbano custa US$ 5 mil por ano. "É um curso caro, por isso não há muitos estudantes", disse.
De acordo com Massoud, já existem estilistas formados na Esmod de Beirute trabalhando na China, Tailândia, França, Brasil, Marrocos, Dubai, Tunísia e outros países árabes. Um exemplo é Najah Hojeije, estilista formada pela escola em Beirute, em 2004, que atualmente está trabalhando em São Paulo.
Encontro anual
Na semana passada, representantes da Esmod Internacional se reuniram no Centro Universitário Senac de São Paulo, instituição que tem um convênio com a Esmod desde 1994, para trocarem experiências e discutir novos projetos. No ano passado o encontro ocorreu no Líbano e no ano que vem será na Alemanha.
No final de cada encontro é apresentando um desfile das roupas criadas pelas últimas turmas formadas por todas as Esmod. Em São Paulo, o evento contou com desfiles dos alunos da França, Japão, Noruega, Coréia, Alemanha e Brasil. De acordo com o gerente do Senac São Paulo, Otavio Cordioli, a parceria da instituição com a Esmod fortaleceu o ensino de moda no país e trouxe conceitos internacionais para a área.
Pioneira
A Esmod foi inaugurada em 1841 pelo francês Alexis Lavigne, que criou a primeira escola de moda no mundo. Ao longo do tempo, tem formado gerações de profissionais que se destacaram trabalhando com estilistas internacionais como Dior, Saint-Laurent, Kenzo, Rabanne e Gaultier. O curso na Esmod oferece desde aulas sobre a história da moda, computação gráfica, corte e costura e o conhecimento de diferentes tecidos e materiais.

