São Paulo – Quatro artistas de países árabes mostram seus trabalhos a partir desta sexta-feira (30), em São Paulo, durante o 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil. No total, 100 artistas brasileiros e do exterior expõem no festival, dois deles do Líbano, um do Kuwait e um do Marrocos. Eles farão parte da mostra "Panoramas do Sul", que traz a arte de profissionais de países em desenvolvimento. A iniciativa inclui desde videoinstalações e vídeos, até fotografias, esculturas e pinturas.
Do Líbano, Akram Zaatari participa com um vídeo de 12 minutos chamado "Tomorrow everthing will be alright" (Amanhã vai ficar tudo bem). A produção mostra uma intensa troca de ideias no decorrer de uma noite, uma história de amor, perda e saudade, segundo a descrição dos organizadores do festival. Também do Líbano, Ali Cherri terá a videoinstalação "My pain is real" (Minha dor é real), na qual o próprio artista simula incisões e mutilações no próprio rosto para investigar a capacidade humana da indiferença.
Ainda entre os árabes virá Basma Alsharif, do Kuwait, que vive entre seu país e o Líbano, com o trabalho "The story of milk and honey" (A história do leite e do mel). São nove minutos e 42 segundos de vídeo e três séries fotográficas. Trata-se de um personagem anônimo, que, em Beirute, mergulha em uma jornada de imagens, cartas, enquanto uma narração reflete sua experiência subjetiva, política, de amor e patriotismo. Bouchra Khalili, marroquina que vive na França, mostra "The Mapping Journey Project" (Projeto da jornada de mapeamento), videoinstalação de mapas com rotas percorridas por cinco imigrantes entre Europa e Palestina.
De acordo com a curadora geral do festival, Solange Farkas, a mostra "Panoramas do Sul" terá quatro caminhos curatórios: cartografia do afeto, sobre diáspora e deslocamento; paisagem política; natureza e cultura; além de dispositivos óticos. Segundo Solange, os artistas árabes se enquadram principalmente em “paisagem política”. "O autor reflete as questões de toda ordem que vive", afirma ela, referindo-se aos problemas geopolíticos e sociais enfrentados no mundo árabe.
Além dos árabes, "Panoramas do Sul" terá artistas do Brasil, Austrália, Polônia, Israel, Mali, Argentina, Bolívia, Croácia, Zimbábue, Colômbia, México, Rússia, Chile, África do Sul, Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Peru, Romênia, Índia, Malásia e Turquia. Eles se inscreveram e passaram por um processo de seleção. Todos estarão no festival, atenderão colecionadores e imprensa em visitas guiadas e participarão de programas da TV Sesc. As obras serão mostradas no Sesc Belenzinho.
O festival engloba, além da mostra de países em desenvolvimento, também a exposição "Seu Corpo da Obra". Ela traz instalações “site specific”, ou seja, feitas especialmente para o local, do dinamarco-islandês Olafur Eliasson, que fez oito delas voltadas para a cidade de São Paulo. Uma das obras, que estará no Sesc Belenzinho, é feita de um dispositivo rotativo que projeta faixas de luz no espaço, outra, para a Pinacoteca do Estado, se concentra em espelhos como ferramenta clássica de arte para dialogar com a arquitetura do prédio neoclássico eclético. No Sesc Pompéia o foco é cor, luz e fumaça para experiências sensoriais.
Haverá algumas palestras e debates durante o festival, como do próprio Eliasson, no dia 01 de outubro, às 17 horas, no Teatro do Sesc Pompéia. O festival segue até o dia 29 de janeiro do ano que vem em função da exposição de Eliasson, que ocorre até lá. A mostra "Panoramas do Sul" vai até 11 de dezembro e a participação de artistas da iniciativa na TV Sesc até 02 de janeiro. A programação será concentrada nos Sesc Belenzinho e Pompéia e na Pinacoteca do Estado.
O festival acontece há 26 anos e tem uma edição a cada dois anos. É uma promoção da Associação Cultural Vídeobrasil com o Serviço Social do Comércio (Sesc). (Veja mais informações no site abaixo)
Serviço
17º Festival Internacional de Arte Contemporânea Sesc_VideoBrasil
De 30 de setembro a 29 de janeiro
Site: www.videobrasil.org.br

