São Paulo – Estudiosos brasileiros e portugueses da língua, cultura e história árabe pretendem criar uma associação para unir suas ações e dar mais visibilidade aos estudos árabes no Brasil e em Portugal. A criação do organismo foi discutida nesta semana, durante o I Simpósio de Arabistas Luso-Brasileiros, que aconteceu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj), na capital carioca. Foi apresentada uma proposta de estatuto e mais de 30 participantes do encontro se mostraram interessados em integrar o grupo.
Os futuros associados são de Portugal, Rio de Janeiro e São Paulo. “Minha expectativa é que essa associação venha unir nossos trabalhos, nossos resultados”, diz Suely Lima, integrante da comissão organizadora do simpósio pela Ufrj. O encontro foi organizado pela universidade do Rio juntamente com a Universidade de São Paulo (USP). A acadêmica explica que como há iniciativas esporádicas e isoladas na área, a associação deverá unir as ações e com isso conseguir resultados mais eficazes para elas.
O nome proposto é Associação Luso-Brasileira de Arabistas (Alba). De acordo com o estatuto, a entidade terá como sedes provisórias o Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da Ufrj, o Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e o Setor de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Lisboa, em Portugal.
O simpósio do Rio de Janeiro durou três dias e teve uma série de discussões de temas como a história e as políticas para os estudos árabes nos países lusófonos, o ensino do idioma árabe no Brasil e do português nos países árabes, as traduções, a história e as representações históricas nos países árabes e as vertentes do pensamento árabe. Ao redor de 50 pessoas participaram de cada uma das sessões, de acordo com Suely.
Segundo a integrante da comissão organizadora, por meio das discussões, foi possível perceber que o ensino do árabe enfrenta os mesmos problemas nos diferentes locais onde é ensinado. Normalmente, explica Suely, há questionamento, por parte de outros membros das instituições de ensino, da importância do estudo do árabe. De acordo com ela, é preciso reafirmar a importância da disciplina, já que há uma valorização maior do ensino de outros idiomas, como inglês e espanhol.
A Ufrj recebeu o evento também em comemoração aos 40 anos do seu Setor de Árabe, que foi criado em 1969 e teve à frente o professor e doutor Alphonse Nagib Sabbagh, que comemorou 90 anos na última quarta-feira (2). Ele também foi o patrono do encontro. O presidente da comissão organizadora, João Baptista M. Vargens, foi substituído, durante o evento, pelo professor Mamede Jarouche, da USP, já que Vargens teve problemas de saúde.

