Frankfurt, Alemanha – Representantes de alguns dos maiores bancos centrais do mundo se reunirão nesta semana em função dos temores de que os impactos da guerra do Oriente Médio na energia possam alimentar a inflação e prejudicar o crescimento dos países.
Há reuniões agendadas para a quarta-feira (18) e a quinta-feira (19) entre o Federal Reserve, dos Estados Unidos, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão, com previsão de análises sobre as possíveis consequências do conflito.
A guerra, que começou com ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, levou ao fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem marítima é uma importante rota de tráfego de energia, como a exportação de petróleo. Além disso, ocorrem ataques iranianos à infraestrutura energética do Golfo.
O cenário fez com que os preços do petróleo e do gás disparassem, o que normalmente contribui para o aumento dos custos de energia e alimentos para as famílias, crescendo os temores de uma repetição do choque inflacionário da guerra na Ucrânia em 2022.
No entanto, em vez de se apressarem em aumentar as taxas de juros para conter o crescimento dos preços, espera-se que os custos de empréstimos sigam inalterados por enquanto. O aumento dos juros é um mecanismo para inibir o consumo e manter a inflação sob controle. Ele, no entanto, freia o crescimento.
“Acreditamos que a maioria dos bancos centrais manterá as taxas inalteradas desta vez e aguardará para avaliar o impacto do aumento dos preços da energia sobre a inflação”, disseram analistas do UniCredit em nota.
Apesar das preocupações com um aumento global nos custos, parecido com o que se viu em 2022, quando a inflação ultrapassou 10% na zona do euro e 9% nos EUA, alguns analistas minimizaram os riscos.
Allen-Reynolds, da Capital Economics, disse que o cenário econômico em 2022 — com política monetária e fiscal frouxa combinada com um choque energético e restrições de oferta — era diferente do atual. “Foi uma espécie de tempestade perfeita para a inflação”, disse ele à AFP. “Não estamos nesse cenário agora.”
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