Giuliana Napolitano
São Paulo – O relacionamento comercial e econômico dos países árabes com o resto do mundo foi tema da reunião anual da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes. Participaram do evento, que ocorreu dia 29 de outubro no Cairo, Egito, as câmaras árabes de diversos países – entre elas, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB).
O encontro também discutiu o papel dessas câmaras para "fortalecer a cooperação entre os países que as hospedam", informou documento assinado pelo secretário-geral da União Geral das Câmaras, Elias Ghantous. Por isso, durante o encontro, a CCAB apresentou um relatório informando as principais ações da entidade para incentivar o aumento do comércio entre o Brasil e o mercado árabe.
Uma delas é a realização de missões comerciais e feiras no Brasil e no Oriente Médio e Norte da África. Só no segundo semestre deste ano, por exemplo, o Brasil participou da Feira Internacional de Damasco, na Síria, e da Index, feira do setor moveleiro que aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes.
Para 2004, a idéia é organizar uma Feira de Produtos Árabes no Brasil, com a participação dos 22 países do Oriente Médio e Norte da África, informou o diretor de comércio exterior e o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, que participou da conferência no Cairo.
Na mesma linha, a Liga Árabe pretende fazer no Brasil o 1.º Congresso de Imigrantes Árabes da América do Sul. A idéia, segundo Alaby, é incentivar esses imigrantes a investir em seus países de origem. O Brasil possui a maior colônia árabe fora do Oriente Médio e Norte da África, estimada em cerca de 10 milhões de pessoas.
Iraque e Palestina
O evento do Cairo debateu ainda a situação econômica e comercial da região com os conflitos na Palestina e no Iraque. O foco das discussões foi o papel dos Estados Unidos. Segundo Alaby, os EUA, que são o terceiro maior parceiro comercial do mercado árabe depois da União Européia e do Japão, devem firmar acordos comerciais com diversos países da região até 2013.
Mas os acertos estão longe de ser positivos, avaliam Elias Ghantous e o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa. Eles acreditam que as negociações deverão ser feitas individualmente – e não por blocos de países -, o que poderá enfraquecer a região.
"Outra conclusão (da reunião do Cairo) foi de que a confiança dos EUA nos países árabes tem decrescido significativamente, e isso tem efeitos nas relações comerciais. Está havendo, por exemplo, redução das importações norte-americanas", declarou Alaby.
Liga Árabe no Brasil
Michel Alaby informou ainda que Amr Mussa deverá fazer uma visita oficial ao Brasil entre abril e maio de 2004. Mussa deve se encontrar com representantes do governo brasileiro e da comunidade árabe no país.
Para preparar a visita, chegou hoje ao Brasil o assessor especial da Liga Árabe, Sayed Torbey. Até o próximo dia 19, Torbey se reúne com autoridades e membros da comunidade árabe.

