Cresce demanda dos árabes por pimentas brasileiras

Em janeiro, as exportações brasileiras de pimenta seca, como é o caso da pimenta-do-reino, bateram recorde histórico. Cooperativa capixaba diz que demanda pelo produto cresceu na pandemia.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – O recorde registrado em janeiro nas exportações de pimentas desidratadas do Brasil aos árabes rendeu US$ 6,4 milhões. O dado, divulgado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, reflete um aumento da demanda que vem ocorrendo, inclusive, em meio à pandemia, explica Erasmo Carlos Negris, diretor administrativo da Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac).

A cooperativa capixaba atua na produção e exportação de pimenta e destina 70% da sua venda ao exterior para os árabes. Os países do bloco que recebem o produto brasileiro são 11: Emirados Árabes Unidos, Egito, Marrocos, Arábia Saudita, Argélia, Omã, Palestina, Tunísia, Iraque, Líbia e Sudão.

A pimenta-do-reino exportada pela Coopbac é desidratada e há pimentas do tipo black pepper ou white pepper. “A pimenta passa por um processo de rastreabilidade para garantia dos contratos estabelecidos. O volume de especiarias exportado pela cooperativa em 2020 foi de cerca de três mil toneladas”, explicou Negris à ANBA.

José Tarcísio Malacarne Junior, no estande da Biospicefoods na Gulfood 2021

Desde o início da pandemia da covid-19, o mundo viu o ritmo diminuir em diversos setores, mas para a agricultura em geral, e na pimenta inclusive, os movimentos foram opostos. “A pandemia restringiu algumas atividades, mas na pimenta-do-reino houve aumento no volume negociado, em virtude da boa logística portuária existente no Brasil, bem como o aumento da produção a nível nacional, posicionando o Brasil como importante player fornecedor de especiarias aos vários mercados compradores”, disse Negris.

Para o presidente da cooperativa, as demandas árabes são importantes para atingir o plano de exportação da Coopbac de se consolidar como referência no setor de especiarias.

É o que também avalia o assistente comercial da Biospicefoods, José Tarcísio Malacarne Junior. A marca trabalha com comércio e exportação de pimenta rosa, pimenta-do-reino branca e preta, pimenta jamaica, cravo da índia e castanha-do-pará. No que diz respeito às pimentas, Junior explica que o mercado árabe é tradicional e vem crescendo. “Os árabes sempre compraram muito, mas nos últimos tempos têm se sobressaído e para nós é um dos principais mercados de exportação da pimenta”, revelou.

Neste ano a empresa foi pela segunda vez consecutiva à Gulfood, feira de alimentos que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “Esse ano, apesar da pandemia, conseguimos fechar contratos com compradores com os quais já estávamos em contato e abrir mercados”, pontuou o executivo. A pimenta da Biospicefoods já chega ao Egito, Arábia Saudita, Tunísia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Palestina e Marrocos.

Divulgação/Coopbac
Divulgação

Publicações relacionadas