São Paulo – A confiança de investidores do mundo todo sofreu um forte golpe na última quinta-feira (26), com o anúncio de pedido de moratória da estatal Dubai World. A informação é do jornal britânico Financial Times.
“A situação dos ativos de risco no mundo está cada vez mais precária”, disse Lena Komileva, diretora de economia de mercado para o G-7 da corretora Tullett Prebon. "O mercado está tendo uma reação tardia, reduzindo as avaliações de risco", completou.
O temor com relação a Dubai fez crescer a apreensão com as dívidas soberanas, somando-se à deterioração do ambiente de investimento na Grécia e outros países europeus periféricos, e à redução da classificação de crédito do México.
Na quinta (26), a agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou avaliação negativa para quatro bancos de Dubai. “Como aprendemos na crise, problemas financeiros em uma região do mundo podem contaminar outras regiões, e a moratória de Dubai pode ter conseqüências sérias”, afirmou Lena.
De acordo com o estrategista de dívida para mercados emergentes do Bank of America/Merrill Lynch, Benoit Anne, embora os acontecimentos em Dubai tenham “contaminado” o crédito para mercados emergentes, as taxas de juros e os mercados de câmbio, os riscos podem estar limitados ao curto prazo.
“A reação inicial dos mercados emergentes pode parecer excessiva, e até certo ponto também é resultado da baixa liquidez devido ao feriado nos Estados Unidos”, disse Anne. Ontem foi Dia de Ação de Graças.
“No melhor dos casos, se os acontecimentos no Golfo não levarem a uma redução tardia no apetite por risco, a fraqueza temporária poderá até criar oportunidades em uma série de ativos”, concluiu Anne.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

