Randa Achmawi
Cairo – Após a recente descoberta de uma tumba da época de Akhenaton por uma missão arqueológica holandesa, duas outras missões, uma japonesa e outra australiana, anunciaram na semana passada ter encontrado, no Egito, novos vestígios da época dos faraós. Os achados ocorreram na região de Saqqara, a 25 quilômetros ao Sul do Cairo.
A primeira descoberta foi feita por pesquisadores ligados à Universidade de Wassida, no Japão, liderados pelo professor Yuchimura. Eles descobriram três sarcófagos de madeira pintada e em boas condições. Os artefatos estavam no interior de poços funerários que datam dos períodos do Médio e do Novo Império, de acordo com reportagem publicada pela revista semanal egípcia Nisf El Donia.
Segundo a revista, o primeiro sarcófago está recoberto com pinturas negras e decorado com representações dos quatro filhos de Horus, o deus com cabeça de falcão. O sarcófago continha uma múmia humana, de uma pessoa chamada Waya Ay, que viveu durante o Novo Império, mais precisamente no período da 18ª dinastia faraônica (entre 1567 e 1320 a.C).
Os dois outros sarcófagos datam de cerca de 4 mil anos atrás e são de uma época não muito bem conhecida do Médio Império, situada por volta do século 20 a.C. Um deles está incrustado com belas pedras de vidro negras. Ele foi encontrado no interior de outra caixa maior pintada com cores vivas e pertenceu aparentemente a um homem chamado Sabak Hatab. O outro é de uma mulher chamada Sint Ayt Ess. Nele se encontram inscrições e epígrafes narrando a vida desta mulher.
Segundo a Nisf El Donia, o que torna estas descobertas importantes é o fato dos artefatos serem de uma época pouco conhecida. "Na imensa necrópole de Saqqara, utilizada de modo quase continuo durante o Egito antigo, se encontram a primeira pirâmide e o primeiro edifício de pedra da história, edificados pelo rei Zoser em 2700 a.C. Esta região conta também com vários objetos do Antigo e do Novo Império, encontrados pelos arqueólogos. Mas os do Médio Império são mais raros", disse Sabri Abdel Aziz, diretor do departamento de antiguidades egípcias do Conselho Supremo de Antiguidades (CSA) do país.
Já a missão arqueológica australiana, dirigida por Naguib Qanawati, revelou a tumba de um escriba chamado Kahay, da casa de registros sagrados, do período entre o fim da quinta e o início da sexta dinastia faraônica (entre 2345 e 2181 a.C.). "Cinco estátuas de madeira foram encontradas em boas condições de conservação, dentre as quais uma estátua dupla do defunto e de sua esposa, o que é realmente uma raridade", afirmou Sabri Abdel Aziz. De acordo com ele, geralmente as estatuas encontradas são de pedra. A missão australiana faz escavações no local desde 1970.

