Em busca da arca perdida

Marisa Castello Branco, uma senhora de 74 anos, j√° levou mais de mil pessoas em excurs√Ķes tem√°ticas pelo Egito. Em janeiro, ela embarca em sua 29¬™ viagem ao longo do rio Nilo. Apaixonada pela egiptologia, ela tamb√©m faz palestras pelo Brasil sobre o Egito Antigo. Em novembro, a egipt√≥loga realizar√° simp√≥sios em S√£o Paulo e em Bras√≠lia.

Débora Rubin
debora@anba.com.br

Débora Rubin


São Paulo РMarisa Castello Branco é uma carioca que vive com a cabeça no Egito. Tudo começou no ginásio, quando ouviu falar pela primeira vez do Egito Antigo. Desde então, não parou mais de pesquisar sobre o tema. Formada em filosofia, Marisa se considera uma egiptóloga autodidata. Afinal, além de ler muito, já foi ao país 28 vezes e se prepara para a sua 29ª viagem em janeiro. Para fazer tais viagens, Marisa se associou a uma agência de turismo, a Abbatour, e montou seu próprio roteiro. "Vamos do Cairo até a divisa com o Sudão. Fazemos uma parte do roteiro num cruzeiro pelo Nilo", diz Marisa.


A primeira viagem foi em 1985. Desde ent√£o, n√£o parou mais. "Acho que j√° levei mais de mil pessoas para l√°. Tem de tudo, de menino de 12 anos que preferiu o Egito a Disney a gente de 80 anos", diz a entusiasmada egipt√≥loga. A "Indiana Jones" brasileira conta que o imprevisto faz parte das excurs√Ķes em busca da civiliza√ß√£o perdida. Certa vez, a caminho de Tel El-Amarna, o grupo que seguia a trator atolou em pleno deserto e ficou cinco horas esperando por socorro. "Amarna √© uma aventura. Por isso fica como opcional no pacote", explica a guia egipt√≥loga.


No Cairo, al√©m das tradicionais pir√Ęmides que ficam ao redor da capital do pa√≠s, Marisa faz quest√£o de levar seu grupo at√© a igreja de S√£o S√©rgio, que foi erguida sobre a cripta onde a Sagrada Fam√≠lia se refugiou durante a fuga para o Egito. J√° em Abu Simbel, ao sul, os turistas conhecem o complexo arqueol√≥gico constru√≠do a mando de Rams√©s II em homenagem a si pr√≥prio e sua esposa predileta, Nefertari. A viagem dura 12 dias e costuma atrair pessoas que como Marisa s√£o apaixonadas pelo pa√≠s. "O Egito √© m√°gico, suas imagens s√£o fortes. Depois de ir para l√°, as pessoas voltam modificadas", acredita.


Ao longo do caminho, sobretudo nos trechos percorridos a √īnibus, Marisa vai contando o que os guias locais n√£o falam. "Ele se at√™m aos fatos: quando e por quem tal constru√ß√£o foi erguida. Eu falo do simbolismo, do que aquilo representava para os eg√≠pcios antigos", explica. As viagens custam, em m√©dia, US$ 3.500 por pessoa.


Palestras


Além das viagens temáticas, Marisa organiza uma série de palestras sobre egiptologia. Em novembro, ela fará simpósios em Brasília, no dia 21, e em São Paulo, dia 25. Serão duas palestras e uma apresentação de slides. Marisa vai falar sobre a beleza da mulher egípcia. Seu tema será: "Nefertiti, o ícone da beleza, e Nefertari, a rainha bem amada". "A mulher tinha um papel diferente no Egito Antigo, ela tinha uma posição privilegiada.", explica a estudiosa.


Em seguida, o arque√≥logo Luiz Oct√°vio Louro Gomes falar√° sobre o papiro e a sua import√Ęncia no Egito Antigo. Por fim, haver√° uma apresenta√ß√£o de slides acompanhada de uma leitura dramatizada intitulada "Tebas das Cem Portas", gravada em um est√ļdio de r√°dio pela pr√≥pria Marisa e outros participantes.


Marisa também já escreveu um livro, "Do Egito Milenar à eternidade", lançado em 2001. Nele, ela fala sobre como os egípcios antigos negavam a morte apostando na idéia de eternidade. "Toda a cultura deles foi construída sobre esse foco. Eles nasciam e morriam acreditando que a vida era eterna."


Aos 74 anos – "e bem vividos", diz – Marisa vai ter, pela primeira vez, uma companhia familiar em suas excurs√Ķes. Sua neta mais velha, de 26 anos, vai participar da aventura da vov√≥ Jones em 2007.


Informa√ß√Ķes e inscri√ß√Ķes


Abbatour – www.abbatour.com.br
Tel: +55 (11) 3285-1100

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