São Paulo – Apesar de registrar crescimento no primeiro trimestre deste ano, a exportação brasileira para os países árabes do Golfo recuou 31,47% em março sobre o mesmo mês do ano passado, para US$ 537,11 milhões. Os dados foram divulgados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira nesta segunda-feira (13), com base em compilado feito pela Inteligência de Mercado da instituição.
A análise leva em conta os mercados da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã, fazem parte do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês). Essas nações têm sido alvo do Irã, no conflito que envolve o país, Israel e Estados Unidos, e possuem portos no mar do Golfo, onde fica o Estreito de Ormuz, que chegou a ser quase que totalmente fechado e segue no centro das disputas. Alguns países do GCC, como Kuwait, Catar e Bahrein, possuem no Mar do Golfo a única saída marítima.
“As vendas para o GCC, que concentra os maiores mercados árabes e responde por 47% das exportações para o bloco de países, vinham em alta em janeiro e fevereiro na comparação com 2025, segundo melhor ano da série histórica”, disse o vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara Árabe, Mohamad Orra Mourad, em material divulgado pela assessoria. Segundo ele, o recuo de março decorre do conflito e, por ora, não afeta o acumulado, mas ainda pode trazer impactos.
O mais prejudicado é o agronegócio brasileiro, que responde por 75% das vendas para a região e viu suas exportações recuarem 25,38% em março sobre igual mês de 2025. Nessa pauta estão carne de frango, com queda de 13,8%, açúcar, com recuo de 43,37%, e milho, com diminuição de 99,96% no mesmo comparativo. Já as vendas de carne bovina subiram 23,87% e as de café aumentaram 34,24%.
Apesar do desempenho de março, o primeiro trimestre, puxado por janeiro e fevereiro, registra aumento de 8,14% nas exportações para os árabes do Golfo. No total, o Brasil faturou US$ 2,41 bilhões com vendas para a região. No acumulado do ano estão em alta os embarques de açúcar, carne bovina e café. Mas milho e o frango, assim como ocorreu em março, tiveram queda nas vendas do trimestre – apesar de bem menores.
No material divulgado, o secretário-geral da Câmara Árabe chama a atenção também para o impacto do conflito no fornecimento de fertilizantes do Golfo ao Brasil. Os embarques caíram 51,35% no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2025. “Esse é um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de disponibilizar alimentos excedentes”, afirmou Mourad. “É preciso buscar formas de minimizar esses impactos”, finaliza.
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