São Paulo – Criada em 2016 por Danilo Richartz Benke, a empresa Erva Mate Paraná já levou seus produtos à base de erva-mate para mais de 30 países, entre eles os árabes Líbano, Emirados Árabes, Síria e Egito. A primeira exportação para a região aconteceu depois da companhia participar da feira de alimentos Gulfood em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, no mesmo ano da sua fundação.
“Depois de um ano de negociação com um contato de lá, começamos a exportar para Dubai e esse negócio se manteve até 2021. Nesse mesmo período conseguimos vender para Egito, Líbano e Síria. Paramos as exportações há cinco anos porque perdemos o nosso contato”, relembra Danilo.

Apesar disso, o empresário ainda vê muito potencial no mercado árabe, em razão da afinidade cultural com o produto brasileiro e da tradição do povo do Oriente Médio de tomar chá.
Ele percebe que o conflito que se desenrola na região atualmente afeta a logística, mas não é impeditivo para fornecer a esse mercado.
“Os conflitos no mundo árabe podem, pontualmente, gerar instabilidade logística e comercial, afetando prazos, custos e previsibilidade dos negócios. Ainda assim, a experiência mostra que, mesmo quando o conflito se prolonga, o mercado tende gradualmente a se reorganizar. Com o tempo, os fluxos comerciais normalmente retomam patamares próximos aos anteriores, ainda que com ajustes operacionais”, disse para a ANBA.
Na experiência anterior com o mercado árabe, a empresa paranaense fez adaptações para atender o gosto local. “No período das exportações para região, chegamos a desenvolver um padrão específico de erva-mate envelhecida, com características de corte e sabor adaptadas às preferências dos consumidores”, diz o brasileiro.
Danilo explica que entre as principais dificuldades de retomar os negócios com os árabes está a concorrência com outras marcas.
“Os países da Liga Árabe consomem bastante chá e mate, mas eles já têm seus compradores há muitos anos. Por isso, para a gente entrar é porque a outra empresa deu problema, diminuiu qualidade ou fez algo de errado”, explica o empresário.
“A minha ideia é retomar a presença em feiras internacionais e voltar à Gulfood em Dubai nos próximos anos para buscar novos parceiros comerciais na região.”
Na última edição, produtos e catálogos da empresa foram levados para a feira pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que expôs na mostra juntamente com a Invest Paraná e a Ocepar, ação que teve também a parceria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Origens árabes
Descendente de libaneses pelo lado paterno da família, Danilo cresceu vendo o pai e o avô consumirem chimarrão em casa. O hábito acabou despertando seu interesse pelo produto que, anos mais tarde, se tornaria o foco de sua carreira. “Eu já tinha essa referência em casa. Meu pai e meu avô tomavam chimarrão, então o mate sempre esteve presente na minha rotina”, conta.
Apesar dessa ligação com a bebida, sua trajetória profissional começou em outra área. Formado como engenheiro civil, ele decidiu ainda durante a faculdade que não seguiria a profissão. Em busca de novos caminhos, acabou ingressando no comércio exterior, inicialmente em empresas de outros setores e, posteriormente, em uma grande companhia de erva-mate.
“Esse contato com o segmento despertou a paixão que eu tinha pela bebida desde a infância. Passei anos trabalhando em empresas deste mercado, enquanto amadurecia a ideia de abrir o meu próprio negócio”, relembra Danilo.
Além do chimarrão
A companhia criada em Curitiba há 10 anos hoje fabrica mais de 20 itens derivados da planta, incluindo a erva-mate para o chimarrão tradicional, erva-mate no padrão uruguaio – conhecida como mate envelhecido – e chás feitos a partir da folha tostada.

“Eu queria ampliar o consumo da erva-mate para além da tradicional cuia, popular no sul do Brasil. Queria mostrar que a mesma planta pode gerar diferentes produtos, como chás quentes ou gelados, que se conectam com o mercado global de bebidas”, explica o empresário.
Essa diversificação permitiu que a marca alcançasse consumidores em diferentes países. Entre os principais destinos dos produtos da empresa brasileira estão Austrália, Suíça e Canadá. Com foco na exportação em 2024 e 2025, as vendas internacionais cresceram aproximadamente 30%.
“Em 2020, ano da pandemia, vi minhas vendas nacionais diminuírem 95%, por isso decidi investir em clientes de fora. Para isso, comecei a participar de palestras e reuniões virtuais, e procurei auxílio de instituições como a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para chegar em outros destinos. E atualmente, cerca de 40% da produção é destinada à exportação”, conclui Danilo.
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Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA


