São Paulo – Tudo começa quando a diretora de Heranças Culturais da Sociedade Internacional de Resgate à Fantasia (Sirf) vai à Bagdá, no Iraque, para salvar Ali Babá, Sherazade, Aladim e outras personagens das Mil e Uma Noites que podem estar em perigo em meio à guerra, em 2003. A mesma diretora depois vai à Jordânia, onde encontrou a lâmpada mágica sem o gênio, e então partiu para a Palestina na tentativa de encontrá-lo. O conflito incessante com Israel só poderia ser explicado pelo fato de o gênio ter caído em mãos maldosas.
Essas três etapas, a passagem da diretora da Sirf pelo Iraque, Jordânia e Palestina e sua interação com as personagens da mais famosa narrativa do Oriente, são a trama da séria de três livros infantis que a brasileira Luciana Savaget escreveu. O primeiro se chama “Operação Resgate em Bagdá – A batalha do invisível” e foi publicado no Brasil em 2003; o segundo, “Operação Resgate na Jordânia – O Segredo do Deserto”, foi lançado em 2007; e o terceiro, “Operação Resgate – A Herança de um Conflito”, é do ano de 2010.
Os dois últimos são frutos das viagens que a escritora fez para promover o primeiro título em terras árabes. Além do português, língua original das três publicações, "Operação Resgate em Bagdá" foi lançado também em árabe, o que acabou transformando Savaget em uma autora conhecida pelas crianças árabes, principalmente palestinas, já que o governo da Palestina comprou 100 mil exemplares para bibliotecas de campos de refugiados.
“Fui à Palestina duas vezes, uma para o lançamento do livro e a outra para conversar com os jovens que leram meus livros. Da primeira viagem surgiu "Operação Resgate na Jordânia", onde encontramos a lâmpada de Aladim, mas sem o gênio dentro. "Imagina se algum inimigo encontrasse esse poderoso gênio que faz as vontades do seu amo? Podia aniquilar o mundo’”, fala Savaget. “E na segunda viagem encontramos o gênio escondido em Nablus, em poder dos demolidores de sonhos e inimigos de nossa poderosa associação Sirf”, relata Savaget.
A escritora se coloca no papel na diretora da Sociedade Internacional de Resgate à Fantasia e assim transfere para a personagem a sua paixão pelo mundo árabe. “A ideia [do livro] surgiu da minha paixão pelas histórias e pelos contos árabes, que são de uma magia impressionante. Esses contos e as histórias das 1001 Noites povoaram a minha infância. Quando escrevi ‘Operação Resgate em Bagdá’, logo no início dos ataques dos EUA à capital iraquiana, não imaginava que nasceriam outros livros para completar a série”, afirmou Savaget.
De acordo com a autora, uma obra puxou a outra. “E também me levou fisicamente àquelas terras maravilhosas, onde Sherazade falava ‘foram felizes para sempre em Bagdá’”. Na Palestina, o livro da Operação Bagdá foi traduzido pela Tamer Literature. No Brasil, todos os livros foram publicados pela editora Nova Fronteira. “Ter um livro publicados em terras distantes e conflituosas como a Palestina foi um prêmio. Até agora só tive um livro publicado em árabe, mas quem sabe no futuro os outros também vão ser”, afirma Savaget.
A escritora afirma que não para de sonhar e a Sirf não vai abandonar o mundo árabe. Ela tem vontade de escrever mais sobre o Oriente. Savaget afirma que sentiu na pele, ao ter ido ao país árabe, a dificuldade do povo palestino de ser reconhecido como país. De acordo com ela, é inadmissível uma guerra ainda nos dias de hoje por aquela região, onde Jesus Cristo nasceu. “Sou diretora de Heranças Culturais da Sirf e luto pelo sonho e pela paz, não só nos livros como na vida”, afirma Savaget.
Nascida na cidade do Rio de Janeiro, a autora é jornalista e trabalha na Globo News, canal de tevê a cabo da Rede Globo. Savaget traduziu para o português o livro Minha Vida junto a Pablo Neruda, escrito pela esposa do poeta, Matilde Urrutia, e já recebeu diversos prêmios pelo trabalho no jornalismo e na literatura. Entre eles estão o Prêmio Altamente Recomendável Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, pelo livro “Dadá, a Mulher de Corisco” e por “Operação Resgate em Bagdá”, entre outras publicações. Também ganhou o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em 2002.


