São Paulo – Em 2025, o Brasil exportou US$ 21,34 bilhões aos países árabes, em queda de 9,81% na comparação com 2024, ano em que o desempenho havia sido recorde. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), organizados pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, houve queda nas vendas dos principais produtos exportados aos árabes, como minério de ferro e carne de frango. No último trimestre do ano, as exportações cresceram 8,2% sobre o mesmo período de 2024.
Açúcar foi o principal produto exportado pelo Brasil aos países árabes no ano passado, com um total de US$ 4,63 bilhões, em queda de 29,89% em comparação com 2024. Foi seguido por carne de frango (US$ 3,34 bilhões, em retração de 6,40%), milho (US$ 3,07 bilhões, em alta de 24,94%), minério de ferro (US$ 2,65 bilhões, -12,70%) e carne bovina (US$ 1,79 bilhão, +1,91%).

Entre os 22 países que compõem a Liga Árabe, os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino das exportações, com um total de US$ 3,78 bilhões, em retração de 16,9% em comparação com 2024. O Egito, segundo principal cliente dos produtos brasileiros entre os países árabes, importou US$ 3,73 bilhões, em queda de 6,20%. Foi seguido por Arábia Saudita, com vendas de US$ 3,13 bilhões, em queda de 0,1%. A Argélia foi o quarto destino das exportações, em um total de US$ 2,33 bilhões (-9,2%), seguida pelo Iraque, para onde foram exportados US$ 1,49 bilhão, em redução de 21,3%.
A pauta exportadora continuou a ser concentrada em produtos do agronegócio. Dos US$ 21,34 bilhões que o Brasil exportou aos países árabes, US$ 15,91 bilhões são procedentes de agricultura e pecuária, o equivalente a 72,51% do total. Alguns países têm investido na produção local de alimentos e ampliado a importação de insumos do Brasil. É o que se observa nas vendas de milho (em alta de 24,94%) e de gado vivo para abate, que subiram 18,1% e somaram US$ 695 milhões.
No sentido contrário, as importações também caíram, em 2,8%, para US$ 9,9 bilhões. A corrente de comércio entre o Brasil e os países árabes foi de US$ 31,2 bilhões, em queda de 7,7%, e o superávit chegou a US$11,4 bilhões, 15,1% menor do que em 2024. Os principais fornecedores do Brasil foram Arábia Saudita, Marrocos, Egito, Argélia e Omã, e os principais produtos vendidos pelos árabes foram petróleo bruto, petróleo refinado, fertilizantes nitrogenados, fertilizantes mistos e fertilizantes fosfatados.
Tendência de crescimento nas vendas aos árabes
Embora tenham encerrado o ano em queda, as exportações voltaram a crescer no último trimestre de 2025. A expansão sobre o mesmo período de 2024 foi de 8,2%.
De acordo com o vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara Árabe, Mohamad Orra Mourad, três fatores explicam a queda nas vendas: em 2024 as exportações aos árabes foram recordes, em alta de 22% sobre 2023, o que torna esse desempenho “difícil” de ser superado de um ano para outro. Outros dois motivos, diz, são a queda nos preços das commodities, que formam a base da pauta exportadora brasileira aos árabes, e a gripe aviária em um município do Rio Grande do Sul, o que levou a uma retração de 6,4% nas exportações de carne de frango aos árabes.
Mourad observa que o aumento nas vendas no quarto trimestre de 2025 sobre o mesmo período de 2024 demonstra uma tendência de retomada nas exportações, embora afirme que ainda é cedo para confirmar essa tendência. “Temos alguns fatores que podem contribuir com isso, mais uma vez a pauta de segurança alimentar é importantíssima para o mundo árabe, que depende das exportações do Brasil para garantir sua segurança alimentar, isso é importantíssimo. Temos o Ramadã nos primeiros meses do ano, o que impacta o volume das exportações”, diz, sobre o mês sagrado para os muçulmanos, que se inicia em 17 de fevereiro.
“E, também, a Câmara Árabe vem atuando bastante forte em termos de atividades e projetos para o primeiro semestre, feiras no exterior para levar exportadores brasileiros a participar de feiras e abrir novos mercados. O projeto Halal do Brasil contribui bastante com isso [abertura de mercados]”, diz, sobre os projeto de promoção no exterior de produtos feitos no Brasil conforme as normas do islã. “Temos uma missão comercial programada para abril a Marrocos e Tunísia e também projeto comprador, em que traremos compradores árabes para o Brasil para uma rodada de negócios, perto de 40 empresas”, afirma Mourad sobre as iniciativas da instituição para promover as trocas comerciais entre Brasil é árabes.
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