São Paulo – O curta metragem brasileiro “A Fábrica”, do diretor Aly Muritiba, vai participar do Gulf Film Festival, mostra de cinema que ocorre de 10 a 16 de abril em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A fita conta a história de um presidiário que tenta fazer com que a mãe leve um celular para ele, na penitenciária. Desde que ficou pronto, em agosto do ano passado, o curta já ganhou 42 prêmios.
“O filme, que possui uma narrativa muito simples, foi escrito por mim numa tentativa de humanizar um pouco as figuras que habitam as penitenciárias brasileiras, sejam elas os presos, os agentes penitenciários ou os parentes do presos”, afirma Muritiba, que partiu dos cinco anos de experiência que teve no trabalho de agente penitenciário.
De acordo com ele, diferente de outros filmes sobre o tema, a “A Fábrica” dá relevância e peso não ao presidiário e seu crime, mas aos familiares e seus sentimentos. “Além do mais, o filme lida muito com as expectativas do espectador habituado a histórias violentas que se passam nos subúrbios brasileiros. O que faço é romper esta expectativa”, afirma o diretor.
A explicação para tantos prêmios, vários deles internacionais, está na simplicidade, segundo Muritiba. “Acho que é justamente pela simplicidade e ousadia na abordagem, aliado a um tema controverso, mas que é tratado de maneira humana. Porque no fim das contas, o filme é sobre um sentimento que todos conhecemos e experimentamos: o amor”, diz.
O diretor e roteirista afirma que o curta é apenas a primeira de várias histórias que escutou e imaginou no ambiente da penitenciária. No segundo semestre deste ano, ele planeja começar a produção de um novo filme, que também terá como ambiente um presídio brasileiro.
"A Fábrica" tem 15 minutos de duração e é uma produção da Grafo Audiovisual, empresa formada por Muritiba com dois colegas da área de cinema e a RPC TV, afiliada da rede Globo no Paraná. A Grafo fica em Curitiba, onde o diretor vive. A criação da empresa teve como intuito fazer cinema autoral.
O curta metragem teve custo de R$ 40 mil, que vieram de concurso da Prefeitura Municipal de Curitiba. Depois, a equipe recebeu R$ 15 mil da RPC TV para concluir o filme. O roteiro foi escrito por Muritiba em 2010 e seis meses depois foi aprovado no edital. Foram, então, dois meses de pré-produção, três dias de filmagem, além de dois meses de finalização.
A participação no Gulf Film Festival foi um convite, assim como a produção recebeu de outros inúmeros festivais depois da presença no Festival de Clermont-Ferrand, na França, onde recebeu menção especial do júri. "Nunca estive num país árabe e estou muito excitado com esta viagem para lá. Exibir meu filme num país tão distante, física e culturalmente, será ímpar", afirma.
Em Dubai, "A Fábrica" concorrerá com outras produções estrangeiras ao prêmio de melhor filme internacional. Entre as 42 premiações que o curta já recebeu estão desde reconhecimento como melhor filme até melhor direção, ator, atriz, roteiro, fotografia e menções honrosas.
O diretor é baiano, mas mudou-se para São Paulo em 1998 e estudou História na Universidade de São Paulo (USP). Muritiba é também especialista em Comunicação e Cultura pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e estuda Cinema e TV na Faculdade de Artes do Paraná. Ele já dirigiu seis curtas metragens, um telefilme e um longa metragem.

