São Paulo – A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, fez na quinta-feira (9), em Washington, nos Estados Unidos, um discurso sobre as perspectivas econômicas em decorrência do conflito no Oriente Médio: aumento da insegurança alimentar, inflação e redução do crescimento econômico são efeitos prováveis nos próximos meses e deverão ser maiores nos países mais próximos ao conflito, porém globais em alguma medida.
De acordo com as estimativas apontadas por Georgieva, mais 45 milhões de pessoas deverão ser afetadas pela insegurança alimentar, especialmente em razão das dificuldades de transporte. O fundo prevê que 360 milhões passarão fome no planeta. O problema pode crescer no decorrer do tempo em razão do aumento no custo dos fertilizantes. Além de petróleo e gás, os países afetados pelo conflito são produtores e exportadores de fertilizantes para nações que são produtoras de alimentos, como o Brasil.
A avaliação central do fundo é que o atual conflito criou um choque de oferta de produtos básicos, como petróleo, gás natural liquefeito e fertilizantes: 13% do fluxo diário mundial de petróleo e 20% do fluxo diário de GNL foram reduzidos pelo conflito. O preço do petróleo tipo Brent saltou de US$ 72 antes do conflito para picos de US$ 120 após os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã e aos ataques retaliatórios iranianos a países do Golfo que são produtores de petróleo e derivados. Tais ataques resultaram e suspensão da produção e do transporte do produto.
“Dadas as incertezas, nossa Perspectiva Econômica Mundial, a ser publicada na próxima semana, incluirá uma série de cenários, desde uma normalização relativamente rápida, passando por um cenário intermediário, até um em que os preços do petróleo e do gás permanecem muito mais altos por muito mais tempo e os efeitos secundários se fazem sentir. Todos esses cenários partem de uma situação em que fortes investimentos em IA e tecnologia, condições financeiras favoráveis e outros fatores estavam impulsionando um ritmo considerável na economia mundial”, afirmou Georgieva.
O FMI estima, ainda, aumento de inflação, que poderá levar os bancos centrais a aumentar taxas de juros para conter os preços, e, também, prevê um crescimento econômico menor. “Mas agora, mesmo o nosso cenário mais otimista envolve uma revisão para baixo das projeções de crescimento. Por quê? Devido a danos significativos na infraestrutura, interrupções no fornecimento, perda de confiança e outros efeitos negativos”, afirmou a executiva.
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