São Paulo – Um workshop vai abordar as relações não governamentais entre o Golfo Arábico e a América Latina de 02 a 05 de julho na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Pesquisadora da Universidade de Brasília (UNB), a franco-chilena Cecília Baeza será uma das palestrantes e falará sobre a formação das redes empresariais e a criação de espaços inter-regionais que surgiram nos últimos anos, independentemente das iniciativas governamentais. O painel de Baeza ocorre no dia 03 de julho, das 14h30 às 16 horas.
De acordo com Baeza, a Cúpula América do Sul – Países Árabes (Aspa) teve um papel neste processo. “Após a Aspa, muitos projetos econômicos surgiram”, afirma a pesquisadora. Ela cita, entre eles, a realização de fóruns de investimentos que foram promovidos pela iniciativa privada e organismos internacionais, como o Latin America Mid-East Investors Forum, organizado pelo Gulf Latin America Leaders Council (GLLC) e o Latin Finance, e Arab Latin American Forum, promovido pelo think tank Fundação Global Democracia e Desenvolvimento.
Baeza lembra que apesar de crescentes, a relação da América Latina com o Golfo não é prioritária. “Não são mercados naturais nem para um e nem para o outro”, afirma a estudiosa. Para o Golfo, atualmente, entre as regiões emergentes são muito mais importantes a Ásia e África, afirma a pesquisadora da UNB. Ela afirma que exceto algumas multinacionais que têm operações em países da outra região, caso da construtora brasileira Odebrecht em algumas nações árabes, os fluxos econômicos ainda são fracos.
Há, no entanto, aproximação em nível microeconômico, com empresários do Golfo e América Latina com pontos em comum, como a valorização das relações interpessoais e as companhias familiares. A presença da diáspora árabe no setor empresarial latino-americano tem um papel proativo na aproximação com o Golfo. “Apesar da maioria da diáspora no Brasil ser da Síria, Líbano e Palestina”, afirma a especialista. Ela lembra ainda que a Câmara de Comércio Árabe Brasileira também trabalha pela aproximação da iniciativa privada com o Golfo.
O workshop “A relação entre os países do Golfo e a América Latina: o papel dos atores não-estatais” será dirigido pela pesquisadora Alejandra Galindo Marines, da Universidade de Monterrey, do México. No site do Gulf Research Meeting, evento que abrigará o workshop, a organização ressalta a importância dos personagens não-governamentais nas relações internacionais e chama a atenção para as diferenças entre a iniciativa privada na América Latina, onde ela é elemento importante de tomada de decisões, e no Golfo, que já fez várias reformas nestes sentido, mas ainda tem as decisões centralizadas nos governos.
O Gulf Research Meeting é promovido anualmente pelo Gulf Research Center Cambridge com o objetivo de aumentar o conhecimento e a pesquisa a respeito do Golfo. A ideia é fomentar estudos sobre a região e incentivar intercâmbio acadêmico de conhecimentos na área.
Baeza nasceu na França e completou os seus estudos no país. Filha de um pai sociólogo, chileno, e de uma francesa, ela é graduada em Ciências Políticas e tem doutorado em Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris (Science Po). Atualmente ela desenvolve sua pesquisa para o pós-doutorado na UNB e começará neste ano a dar aulas de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. A doutora é também pesquisadora do think tank New Generation Consulting (NGC), que tem sede no Líbano e reúne estudiosos sobre as relações da América Latina e mundo árabe.
Baeza veio para a América Latina para fazer o pós-doutorado e se divide, atualmente, entre o Brasil, o Chile e a Argentina. Na Argentina, ela trabalha pela Rede de Investigação Interdisciplinar sobre o Mundo Árabe e América Latina (Rimaal), da qual é uma das fundadoras, na Universidade Tres de Febrero, em Buenos Aires. Ainda na França, os estudos da franco-chilena envolveram a presença da diáspora palestina na América do Sul, no Brasil e Chile, e América Central, em Honduras. O projeto de pós-doutorado que ela desenvolve na UNB estuda o papel do Brasil como mediador de conflitos no Oriente Médio.
Serviço:
Gulf Research Meeting 2013
De 02 a 05 de julho
Universidade de Cambridge – Reino Unido
Informações: http://grm.grc.net/


