Mais estudos √°rabes na USP

Universidade de S√£o Paulo cria espa√ßo para estimular projetos acad√™micos sobre √Āsia e Oriente M√©dio. Primeiro livro com artigos sai em agosto.

Marcos Carrieri
mcarrieri@anba.com.br

S√£o Paulo ‚Äď Criado no fim de 2008 para ajudar a Universidade de S√£o Paulo (USP) a aumentar a quantidade de pesquisas sobre R√ļssia, √Āsia e Oriente M√©dio, o Laborat√≥rio de Estudos da √Āsia (LEA) se prepara para lan√ßar o primeiro livro com artigos produzidos por seus acad√™micos em agosto. √Č o primeiro passo do LEA em seu curto per√≠odo de vida. Antes deste livro, resultado de um trabalho acad√™mico, o LEA lan√ßa em parceria com o Instituto de Pesquisas Econ√īmicas Aplicadas (Ipea) um livro sobre a R√ļssia.

Co-coordenador do LEA, o professor Angelo Segrillo afirma que o laboratório foi rápido na produção do primeiro livro com artigos acadêmicos sobre os países estudados, mas observa que a língua é a maior barreira para os pesquisadores.

"Quando vim para c√°, eles queriam um professor de hist√≥ria contempor√Ęnea com √™nfase em √Āsia", afirma Segrillo, que √© especialista em hist√≥ria da R√ļssia e ex-URSS eurasiana. "Eles queriam alavancar os estudos sobre a √Āsia. Eu achava que S√£o Paulo estava mais avan√ßado neste sentido, mas mesmo aqui essa produ√ß√£o ainda √© embrion√°ria", observa Segrillo, que vive em Niter√≥i, no Rio de Janeiro, mas est√° na USP, em S√£o Paulo, tr√™s dias da semana.

O LEA √© dividido em tr√™s grupos de trabalho. Segrillo coordena os grupos de trabalho de R√ļssia e √Āsia Central e √Āsia. Outro professor coordenador do LEA, Peter Demant, coordena o grupo de trabalho de Oriente M√©dio e Mundo Mu√ßulmano, mas ele est√° afastado e retorna no segundo semestre. O LEA √© subordinado ao Departamento de Hist√≥ria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci√™ncias Humanas (FFLCH), mas tem pesquisadores de outras faculdades e universidades. Quando a l√≠ngua-m√£e do pa√≠s amea√ßa interromper algum projeto de pesquisa, o Departamento de L√≠nguas Orientais da FFLCC ajuda os profissionais do LEA.

"Para estudar e desenvolver o projeto Stricto Sensu (mestrado e doutorado), o pesquisador precisa conhecer a l√≠ngua-m√£e, consultar os documentos originais", afirma Segrillo. Al√©m da barreira cultural, Segrillo diz que a forma√ß√£o dos estudantes tamb√©m prejudica o desenvolvimento de trabalhos que contemplem pa√≠ses do Oriente. "A forma√ß√£o dos alunos ainda √© euroc√™ntrica. H√° menos trabalhos sobre a √Āsia do que sobre a √Āfrica", diz.

O Grupo de Trabalho de Oriente Médio e Mundo Muçulmano costuma atrair mais alunos e pesquisadores do que os outros. Segundo a pesquisadora Carolina Alberice, este grupo recebe mais estudantes porque os países e os temas da região têm uma exposição maior do que os outros. Atualmente, há nove pesquisadores neste grupo de trabalho. "Muitas pessoas leem sobre o assunto, veem as notícias e se interessam em conhecer melhor o que acontece na região", afirma.

N√£o h√° um n√ļmero fixo de pa√≠ses contemplados por este grupo de trabalho. S√£o estudados os pa√≠ses mu√ßulmanos (inclusive aqueles que est√£o na √Āfrica) e do Oriente M√©dio (mesmo que n√£o sejam √°rabes). Ir√£, Israel e Turquia tamb√©m s√£o temas de estudo no LEA. Mas n√£o s√£o os √ļnicos. Todos os assuntos que envolvam a regi√£o e a religi√£o ganham espa√ßo no grupo de trabalho. Uma das alunas, por exemplo, desenvolve um projeto acad√™mico sobre o papel da mulher na Turquia e no Egito. O pa√≠s do Norte da √Āfrica foi tema de duas reuni√Ķes dos alunos neste ano ap√≥s a ren√ļncia do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro.

Carolina substitui o outro co-coordenador do LEA, Peter Demant. Ela pretende iniciar um mestrado sobre o Líbano. "Sempre que leio o jornal, procuro primeiro as notícias do Oriente Médio. Sempre me interessei pela região e agora vou me aprofundar. Para poder estudar o Líbano, tenho que conhecer e contextualizar o conflito Israel-Palestina", observa.

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