São Paulo – Mulheres árabes que participaram da reunião da Liga das Mulheres Árabes, na última semana em Amã, na Jordânia, devem ter formação na área de direito do trabalho e direito feminino dentro dos sindicatos nos quais atuam. Essa foi uma das metas traçadas para 2012 a partir do encontro, da qual participou a sindicalista brasileira Nair Goulart, presidente da Força Sindical da Bahia e presidente-adjunta da Confederação Sindical Internacional (CSI).
O encontro reuniu 35 mulheres trabalhadoras do Marrocos, Palestina, Jordânia, Egito, Bahrein, Iêmen, Kuwait, Argélia, Tunísia e Mauritânia. De acordo com Goulart, a formação deve ser providenciada por cada sindicato ao qual elas pertencem e tem o objetivo de preparar as mulheres para assumir altos cargos de comando. Outro propósito feito a partir do encontro pelas participantes foi organizar campanhas contra a violência às mulheres.
Também foram estabelecidas como metas a criação de departamentos de mulheres dentro dos sindicatos, a busca do aumento da participação feminina nas negociações dos acordos coletivos de trabalho, entre outras. Como integrante da CSI, a própria Goulart deve ajudar na busca por recursos humanos e financeiros para que as metas sejam postas em prática. O organismo também se comprometeu a falar sobre as discussões da Jordânia na reunião de diretoria da CSI, onde participam representantes dos sindicatos de países árabes.
A brasileira fez uma palestra no encontro, na qual falou sobre a realidade brasileira do direito feminino. “Falei um pouco da nossa história, da conquista do voto, da legislação, CLT, a constituição, da questão eleitoral, fui mostrando as dificuldades que ainda temos”, relata Goulart à ANBA. Segundo a presidente-adjunta da CSI, as mulheres árabes fizeram ‘mil perguntas’ e queriam saber de tudo sobre essa realidade brasileira.
"Elas são muito valorosas", afirma Goulart, falando da batalha destas mulheres, apesar de muitas vezes conviverem em ambiente de guerra, como é o caso da Palestina. Segundo Goulart, na região, os salários pagos paras mulheres são bem mais baixos, muitas não tem licença maternidade e não há demandas na Justiça de mulheres pedindo igualdade. A partir das discussões, elas chegaram à conclusão de que precisam de mais espaço também nos cargos diretivos dos sindicatos de trabalhadores.
Os organismos internacionais como a CSI devem agora ajudar as mulheres árabes a levar suas metas adiante. Além da CSI, participaram do encontro e estão envolvidas na causa das trabalhadoras árabes entidades do Canadá, Estados Unidos, Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre outras. Também a Organização das Nações Unidas (ONU) atua junto às mulheres da região para melhoria dos seus direitos.

