Nos Emirados, Embrapa busca parcerias e investimentos

O presidente da instituição, Celso Moretti, está em viagem ao país árabe, onde a empresa avalia abrir um escritório.

Da Redação
anba@anba.com.br

São Paulo – Uma missão técnica de entidades ligadas à agricultura brasileira está nos Emirados Árabes Unidos até esta terça-feira (21). A missão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) busca fortalecer as relações bilaterais de cooperação e a abertura de novos mercados. Entre as entidades que participam da viagem está uma comitiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Além do presidente da Embrapa, Celso Moretti, também estão no país árabe o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa e secretário do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), Fernando Camargo; os chefes da Embrapa Hortaliças, Warley Nascimento, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Alberto Vilarinhos, e da Embrapa Caprinos e Ovinos, Marco Aurélio Bomfim; e representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Além de um encontro com a ministra da Segurança Alimentar do Futuro dos Emirados Árabes, Mariam Almheiri, no dia 19, para discutir possibilidades de parcerias estratégicas, a missão incluiu visitas a instituições governamentais e de pesquisa relacionadas ao aproveitamento de água convencional e não-convencional (como solução salina, água tratada, água industrial, drenagem agrícola e água do mar). Al Meheiri visitou a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, em 2019.

A comitiva visitou também o Centro Internacional para Agricultura Biossalina (ICBA, da sigla em inglês), no dia 18 (foto acima). O centro pesquisa a melhoria da produtividade e sustentabilidade em áreas marginais e salinas. Os brasileiros conheceram as instalações de pesquisa, em Dubai, e discutiram sobre colaborações entre as duas entidades, divulgou o centro árabe.

O presidente da Embrapa é recebido no ICBA

A expectativa dos brasileiros é que as experiências possam ser adaptadas à realidade do bioma Caatinga. Os árabes trabalham com dessalinização de água do mar e água do subsolo. A contrapartida do Brasil viria da Embrapa Semiárido e Embrapa Meio Ambiente, que desenvolvem estudos com agricultura biossalina e culturas como a erva sal, planta usada na alimentação animal com boa adaptação às regiões áridas e semiáridas.

Outra visita na agenda é a estação de pesquisa da Autoridade de Agricultura e Segurança Alimentar de Abu Dhabi (ADAFSA), responsável pela agricultura, segurança alimentar e biossegurança.

A delegação também passou por empresas como a Camelicious Farm, fazenda de camelos; a Fish Farm, de criação e incubação de peixes marinhos; o Agthia Group, que produz alimentos e bebidas; a Al Dhahra Holding Company, multinacional do agronegócio especializada no cultivo, produção e comercialização de ração animal e produtos alimentares da cadeia de suprimentos; a Elite Agro, marca de cultivo e comercialização de produtos alimentícios; e a Jenan Investment Company.

O roteiro abrange oportunidades para diferentes especialidades da entidade, como a Embrapa Agroindústria de Alimentos, a Embrapa Agroindústria Tropical, e a unidade de Pesca e Aquicultura.

Escritório

A Embrapa informou, ainda, a intenção de instalar um escritório nos Emirados. A questão, no entanto, ainda precisa ser submetida aos ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores. Caso seja efetivado, o objetivo é “investir mais nas estratégias de monetização dos nossos ativos, a partir de 2020”, afirmou em nota, o presidente da Embrapa, apontando para a internacionalização da empresa.

Entre as possibilidades estão firmar contratos para que cultivares brasileiras protegidas por meio de royalties estejam disponíveis para utilização no país árabe. A abertura de investimento no Brasil na área de bioeconomia também foi citada por Celso Moretti como uma das potenciais parcerias. “Podemos apresentar a tecnologia desenvolvida a partir das bactérias fixadoras de nitrogênio”, destacou.

A Embrapa informou que um acordo para promover os projetos fora do Brasil deve ser assinado com a Apex ainda no primeiro trimestre deste ano. A cooperação visa financiar futuras missões ao exterior de forma continuada, como parte de um plano estratégico de fortalecimento da internacionalização.

Divulgação/ICBA
Divulgação/ ICBA

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