Randa Achmawi
Cairo – A artista brasileira Isabel Castilho está expondo 53 dos seus quadros ao público egípcio até o dia 07 de dezembro, na Galeria Ibdaa, no bairro de Mohandessin, no Cairo, capital do país árabe. As pinturas são abstratas e foram inspiradas na estadia da pintora em três países árabes: Arábia Saudita, Marrocos e Egito. Isabel viveu nestes países com seu marido, Juan José, um diplomata espanhol.
"A primeira vez que tive contato com o mundo árabe e suas cores foi quando fui viver na Arábia Saudita. Para mim, a paisagem desértica deste país representava um imenso contraste com o que eu tinha sempre estado acostumada no Brasil, onde as paisagens das florestas são de um verde intenso. Tudo isso me deslumbrou de alguma maneira. Os tons das cores do deserto que variavam dependendo da hora do dia me maravilhavam", conta.
"Desde então comecei a ver o mundo de outra forma. E por isso senti a necessidade de passar aquilo para os meus quadros", diz a artista. As pinturas de Isabel são feitas com acrílico, mas ela também utiliza alguns elementos naturais como areia e pigmentos encontrados nos mercados populares do Marrocos ou do Egito. De acordo com a artista, outro elemento que a influenciou, no Marrocos, foram as cores do lugar, como o Turquesa, violeta misturado com o ocre, que é possível perceber em vários de seus quadros.
O Egito também influenciou os quadros de Isabel. "Aqui ocorreu uma síntese de tudo que já havia visto e vivido nos dois outros países árabes. Neste país, a carga ou o peso intenso da história proporcionou um impulso em minha relação criativa com o mundo árabe", explica. "É como se de cada lugar pelo qual eu passei eu tivesse trazido um pouco do que vi. Quando cheguei ao Egito pude concluir meu trabalho, alcançando uma compreensão profunda de tudo que já havia vivenciado", afirma.
Isabel tem um processo criativo bastante próprio. Da aquarela ela evoluiu aos poucos em direção de seu estilo de hoje. "Gostava muito de desenhar. Usei muito o nanquim e contrastes entre o branco e o preto. Mas cada vez que começava acrescentar a cor, era necessário desmanchar as figuras e transformá-las de alguma maneira. Desta forma fui descobrindo a abstração que existia em meu trabalho", explica a artista. De acordo com ela, algumas transparências e jogos de manchas presentes em seus quadros vêm do período em que só usava aquarela, técnica onde a cor é muito importante.
Nascida no Rio de Janeiro, mas paulistana de coração, Isabel Castilho faz exposições individuais e participa de coletivas desde 1987. Suas pinturas têm sido apresentadas em diversas cidades brasileiras, sul-americanas, européias e árabes.

