Da Agência Brasil
São Paulo – Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., a aproximação do Brasil com os 22 países da Liga dos Estados Árabes ocorre tanto na área comercial, como na cultural e na política, sendo que um setor tem impulsionado o outro. Em entrevista à Agência Brasil, Sarkis falou da importância da assinatura, no início de março, do convênio entre a Câmara e o Ministério das Relações Exteriores para a organização de atividades que dêem segmento à cúpula dos países árabes e sul-americanos, realizada no ano passado em Brasília. O acordo foi publicado no Diário Oficial em 16 de março.
Sarkis falou também sobre a reunião de ministros da área econômica das duas regiões, que vai ocorrer em Quito, capital do Equador, em 25 e 26 de abril. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Agência Brasil – Qual a importância da assinatura desse convênio para a aproximação dos dois blocos e, particularmente, do Brasil com os países árabes?
Antonio Sarkis Jr. – Acho que para a Câmara é de fundamental importância porque ela sempre trabalhou as relações entre o Brasil e os países árabes nas áreas comercial, cultural e política. Existia grande falta de informação. Os brasileiros não tinham real noção da potencialidade dos países árabes, nos campos econômico e cultural, e esse conhecimento foi se construindo. E também por parte dos árabes, de saber sobre um país como Brasil, que tem preços competitivos, produtos de qualidade e amabilidade.
O árabe gosta muito do brasileiro. A amabilidade do brasileiro foi uma descoberta para o árabe e isso resultou no crescimento dos negócios. Uma coisa ajuda a outra: o comércio ajuda a aproximação cultural e as duas juntas ajudam a aproximação política. O que a gente viu nos últimos anos foi um conjunto de fatores positivos que culminou com a cúpula, com a visita de várias autoridades árabes ao Brasil, como a recente visita do príncipe da Jordânia El Hassan Bin Talal, e também a visita do presidente Lula à Argélia em fevereiro.
Para a aproximação se concretizar, havia a necessidade de vôos diretos entre o Brasil e os países árabes e parece que já na primeira linha isso não deu muito certo?
A linha é uma parceria da TAM com a Middle East Airlines. Está funcionando, mas não se conseguiu horários que a tornassem ótima. A dificuldade do acordo está nos horários em que o avião da TAM chega a Paris e o da Middle East parte para Beirute. Mas também já temos novidade, pois a Emirates Airlines está para inaugurar um vôo direto São Paulo-Dubai e também já tem autorização para operar Dubai-Rio de Janeiro.
Nós não temos uma linha de navio mercante direta. Esse é um dos temas em que se espera avançar no Equador?
Isso. A gente tem trabalhado e sentido junto aos empresários árabes que esse é um fator que não favorece as empresas brasileiras: a demora na chegada do produto e a falta de linhas diretas. Esse seria, na minha opinião, um dos principais fatores a serem atacados.
Como o Brasil exporta frango hoje para a Árabia Saudita, por exemplo?
Algumas empresas fecham acordos com uma empresa que tem linha direta, mas eles são fechados apenas com os principais exportadores. Existe uma empresa que opera para o Oriente Médio diretamente, mas não é suficiente para atender o mercado.
Sobre o encontro de Quito, parece que há uma grande expectativa de avanço no fechamento de um acordo do Mercosul com os países do Golfo?
Esse acordo já vem sendo tratado desde a Cúpula de Brasília – quando foi assinado um acordo-quadro – e eu acho que será um dos principais temas do encontro do Equador.

