Sauditas importam US$ 10 bi em alimentos

País importa muito mais do que produz e precisa buscar fornecedores externos. O Brasil é forte em alguns segmentos, como o do frango, mas pode avançar na exportação de outras mercadorias.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

S√£o Paulo ‚Äď A Ar√°bia Saudita compra do exterior cerca de US$ 10 bilh√Ķes em alimentos e bebidas por ano. Com clima des√©rtico, o pa√≠s produz menos da metade do que consome. Como a popula√ß√£o cresce a passos largos e o governo desestimula a produ√ß√£o agr√≠cola local, para economizar √°gua para consumo humano, a tend√™ncia do mercado de importados √© sempre crescer.

‚ÄúA Ar√°bia Saudita n√£o s√≥ √© um grande mercado, como √© nosso maior cliente‚ÄĚ, disse o diretor do n√ļcleo de mercados da Uni√£o Brasileira de Avicultura (Ubabef), Ricardo Santin. ‚ÄúO consumo l√° √© muito alto‚ÄĚ, acrescentou.

Para se ter uma ideia, o Brasil exportou 550 mil toneladas de carne de frango aos sauditas em 2010, ao passo que o segundo maior mercado, que é o Japão, importou 385 mil toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.

O frango √© o produto brasileiro com mais hist√≥rias de sucesso no mercado saudita. Marcas como Sadia e Perdix, como a Perdig√£o √© conhecida no pa√≠s, s√£o l√≠deres de mercado h√° anos e √© poss√≠vel encontrar marcas ‚Äúmade in Brazil‚ÄĚ em qualquer supermercado.

Nesse setor, o Brasil est√° muito na frente de outros pa√≠ses exportadores, pois, segundo Santin, tem participa√ß√£o de 90% no mercado saudita de frango importado. ‚ÄúTemos [na Ar√°bia Saudita] um mercado forte, consistente e sem nenhum problema‚ÄĚ, declarou o executivo.

Al√©m do frango, outros produtos aliment√≠cios que a Ar√°bia Saudita importa em grandes quantidades do Brasil s√£o a√ß√ļcar, carne bovina, milho e soja. Os exportadores brasileiros sabem que o mercado demanda produtos agropecu√°rios a granel.

Desafio

O desafio √© ampliar as vendas de alimentos e bebidas industrializadas. ‚ÄúTemos que buscar os desafios‚ÄĚ, destacou o secret√°rio-geral da C√Ęmara de Com√©rcio √Ārabe Brasileira, Michel Alaby.

Nesse sentido, a C√Ęmara √Ārabe, em parceria com o Itamaraty, vai participar pela primeira vez de uma feira do ramo de alimentos em Jeddah, na Ar√°bia Saudita. ‚ÄúO objetivo √© buscar a diversifica√ß√£o [das exporta√ß√Ķes brasileiras] na √°rea de alimentos‚ÄĚ, ressaltou Alaby.

A Food Arabia vai ocorrer de 29 de maio a 01 de junho na cidade litor√Ęnea do Mar Vermelho. ‚ÄúJeddah √© o principal centro de distribui√ß√£o do pa√≠s e, inclusive, tem um porto‚ÄĚ, ressaltou Alaby. O estande brasileiro ter√° 54 metros quadrados e a ideia √© levar, pelo menos, seis empresas para expor. Segundo ele, ser√° uma oportunidade para as companhias mostrarem produtos de maior valor agregado.

Para o trader F√°bio Chalita, que trabalha com exporta√ß√£o de alimentos industrializados para o Oriente M√©dio, o mercado saudita √© ‚Äúmuito bom e muito grande‚ÄĚ, mas introduzir produtos acabados n√£o √© t√£o simples como vender itens b√°sicos.

Em primeiro lugar, de acordo com ele, há forte concorrência, principalmente de fornecedores europeus. Há também a burocracia para liberar a comercialização dos produtos no país, além da necessidade de se ter mercadorias para pronta entrega.

‚ÄúOs supermercados preferem trabalhar com distribuidores locais para ter reposi√ß√£o imediata dos produtos‚ÄĚ, afirmou. Trabalhar com um distribuidor, segundo o empres√°rio, pode tamb√©m facilitar os tr√Ęmites burocr√°ticos.

Sua empresa, a Unitrading, representa, entre outros setores, fabricantes brasileiros de atomatados e vegetais em conserva. Chalita afirmou que j√° conseguiu colocar algumas mercadorias do g√™nero no mercado, por meio de distribuidores, e que obteve alguns resultados positivos, mas os volumes exportados s√£o pequenos. Nessa seara, a concorr√™ncia de outros pa√≠ses fornecedores se faz sentir. ‚Äú√Č preciso trabalhar para conseguir vender volumes maiores‚ÄĚ, destacou.

Quem vende para l√°, mas tamb√©m em quantidades pequenas, √© a Ruette Spices, que comercializa pimentas e cravos. De acordo com Fernanda Tavares, gerente de exporta√ß√£o da companhia, importar lotes reduzidos √© uma caracter√≠stica dos clientes que a empresa tem l√°, ao contr√°rio dos importadores com quem ela trabalha nos Emirados √Ārabes Unidos, que costumam fazer encomendas maiores.

‚ÄúVendemos diretamente [para a Ar√°bia Saudita], mas normalmente as quantidades n√£o s√£o grandes‚ÄĚ, declarou Fernanda. As especiarias geralmente s√£o distribu√≠das pelos importadores para o varejo local.

Adaptação

Alaby ressalta que é importante investir em certos diferenciais para conquistar o mercado saudita, como a certificação halal, que atesta que o alimento foi produzido de acordo com preceitos muçulmanos. A religião é um fator importantíssimo na Arábia Saudita.

Santin, da Ubabef, lembra, por exemplo, que todo o frango exportado pelo Brasil ao pa√≠s √°rabe √© halal e, al√©m disso, adaptado ao gosto do consumidor local. Ao contr√°rio das aves maiores comercializadas no mercado brasileiro, na Ar√°bia Saudita, e no mundo √°rabe em geral, s√£o vendidos franguinhos que pesam de 800 a 900 gramas, quase como se fossem por√ß√Ķes individuais.

‚ÄúN√≥s tentamos vender alguns produtos com maior valor agregado, como cozidos e cortes especiais, mas a demanda √© [principalmente] essa (por frangos pequenos e inteiros)‚ÄĚ, declarou Santin. Certas empresas, como a Sadia, comercializam na regi√£o itens processados desenvolvidos especialmente para o gosto √°rabe, como o shawarma, que no Brasil √© conhecido como churrasco grego.

Chalita acrescenta que existem ‚Äúfatias‚ÄĚ do mercado saudita ainda n√£o exploradas e que abrem chances para neg√≥cios. Ele cita produtos bastante conhecidos no Brasil, como doce de leite e goiabada, que s√£o desconhecidos na Ar√°bia Saudita, mas podem cair no gosto do consumidor.

‚ÄúS√£o produtos que podem ser explorados porque n√£o existem no mercado. √Č preciso come√ßar a lev√°-los para torn√°-los conhecidos e despertar o paladar do consumidor. Existe um potencial grande‚ÄĚ, afirmou. Vale lembrar que os doces em geral s√£o bastante apreciados pelos consumidores √°rabes.

Mais informa√ß√Ķes sobre a Food Arabia

C√Ęmara de Com√©rcio √Ārabe Brasileira

Hans Lazarte Lima
Tel.: (11) 3147-4067
E-mail: Hans@ccab.org.br

Filipe Gouveia Ferraz
Tel.: (11) 3147-4073
E-mail: Filipe@ccab.org.br

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