São Paulo – O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) vai levar a sua metodologia de ensino ao Marrocos. A instituição, voltada para ensino técnico profissionalizante e mantida pela indústria nacional, vai mostrar a professores marroquinos como dar aulas, nesta área, para pessoas portadoras de necessidades especiais. O gerente executivo de Relações Internacionais do Senai, Frederico Lamego, explica que a iniciativa faz parte da proposta de cooperação sul-sul do governo federal brasileiro.
Representantes do Senai já foram ao país árabe em duas oportunidades, no ano passado e neste ano, e Lamego acredita que a cooperação deve estar em andamento até o final do ano. Nas missões feitas ao Marrocos, de acordo com o gerente executivo, foram avaliadas as demandas na área de formação profissional e foi aí que se detectou a necessidade na área de ensino para alunos especiais.
O Senai desenvolveu um método próprio para ensinar pessoas com deficiências, como cegos, surdos, mudos e deficientes físicos. “Por uma questão de empregabilidade, já que a lei brasileira estabelece cotas para contratação de deficientes”, explica Lamego. Em função disto, além da forma de ensino e do material didático, também unidades do Senai são adaptadas para receber estes alunos.
O interlocutor do Senai, no Marrocos, é o Escritório Marroquino da Formação Profissional e do Trabalho (OFPTT), que também atua com formação profissional. Toda a metodologia, porém, será adaptada ao francês, que é um dos idiomas falados no país africano. Segundo Lamego, devem vir em torno de 15 profissionais marroquinos ao Brasil, para capacitação, e também quatro a cinco profissionais brasileiros devem ir ao Marrocos para dar assistência. O braço gaúcho do Senai é que deve fazer o intercâmbio com os marroquinos.
De acordo com Lamego, também está sendo planejado, com o Marrocos, cooperação para formação de docentes no setor de construção civil, já que o país árabe tem necessidade de mão-de-obra nesta área. Nestes casos, de transferência internacional de conhecimento a pedido do governo federal brasileiro, os serviços são dados pelo Senai, mas são posteriormente ressarcidos pelo poder público, já que está dentro da sua estratégia política de cooperação com os países em desenvolvimento.
O Senai faz esse tipo de trabalho com vários países. Em alguns, inclusive, a instituição tem unidades. É o caso de Guiné Bissau, Cabo Verde, Paraguai e Timor Leste. Em Guiné o trabalho já foi terminado e a unidade vai passar, definitivamente, para as mãos do organismo parceiro do Senai no país. A idéia, de acordo com Lamego, é que em todas as unidades haja este processo: elas sejam, depois de um tempo de intercâmbio, assumidas pelo parceiro local. Em Angola também há um centro e foi concluído o trabalho.
Na última semana o Senai assinou um convênio com a Agência Brasileira de Cooperação, do Itamaraty, para a construção de outras cinco unidades para educação profissionalizante, na Guatemala, São Tomé e Príncipe, Jamaica, Haiti e Moçambique. O acordo também sela o compromisso de reforçar a atuação nas unidades já existentes. Atualmente o Senai mantém parcerias com 43 instituições de 30 países. O Senai faz parte do Sistema Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Federações de Indústrias dos Estados.

