São Paulo – Um sudanês deve ficar conhecido nas escolas brasileiras neste ano. A Fundação Prêmio das Crianças do Mundo, uma organização internacional, promove todos os anos um concurso para escolher personalidades que mais trabalharam pelas crianças no mundo, no qual votam crianças e jovens de 94 países, entre eles o Brasil. E a edição do prêmio deste ano tem entre seus candidatos o sudanês James Aguer, que atua pela preservação dos direitos infantis no seu país, no Norte da África.
Além de James, há candidatos do Paquistão, Nepal, Canadá, Burundi, Etiópia, Tailândia, Quênia, Moçambique, Ruanda, Camboja, África do Sul e Zimbábue. O sudanês trabalha, há cerca de 20 anos, pela libertação de crianças escravas do seu país. Já libertou três mil crianças, principalmente do seu povo, o Dinka, e chegou a ser preso 33 vezes. Hoje James trabalha em uma organização fundada pelo governo sudanês para combater a escravidão.
A edição do Prêmio das Crianças do Mundo deste ano é especial porque escolherá o herói da década. Todos os candidatos – que são 13 no total – já foram homenageados em anos anteriores, de acordo com informações da coordenadora da Fundação no Brasil, Christiane Sampaio, de Minas Gerais. O prêmio tem um objetivo maior, que é a discussão dos direitos das crianças e dar a elas voz mais ativa na construção da sociedade, e envolve, segundo Christiane, 50 mil escolas e 22 milhões de crianças no mundo.
Podem participar crianças individualmente, mas o ideal, segundo a coordenadora, é que participem grupos. A escola precisa se cadastrar para passar a fazer parte da rede de amigos do prêmio. A partir disso, a Fundação Prêmio das Crianças do Mundo vai entrar em contato com a escola e enviar materiais que ajudarão no processo da eleição.
A fundação sugere que a escolha seja antecedida de alguns passos, como a discussão sobre direitos das crianças que fazem parte do grupo, a situação dos direitos das crianças no mundo, além de apresentação dos candidatos ao prêmio. Para isso, o site da fundação e a revista, chamada O Globo, servem de subsídio. As próprias crianças, então, devem organizar a votação nas suas escolas. O resultado pode ser repassado via urna eletrônica, no site, ou por fax. “É também um treinamento em democracia”, diz Christiane.
Há escolas no Brasil que participam há vários anos, lembra a coordenadora. Em São José dos Campos, interior de São Paulo, por exemplo, a rede municipal faz parte da ação há quatro anos e o tema é utilizado até mesmo para explorar matérias como geografia e história a respeito do país de cada indicado. Podem votar menores de 18 anos e as ações, segundo Christiane, são indicadas para idades de 10 a 18 anos. As inscrições para participar da votação vão até o dia 10 de junho e a votação pode ser feita até 25 de outubro.
Do Brasil, os voluntários da Pastoral da Criança, organização que trabalha com nutrição infantil em áreas carentes, foram candidatos em 2003. Neste ano, além do sudanês, são indicados o paquistanês Iqbal Masih, já morto, escravizado quando criança e encorajador de outras crianças a abandonar a escravidão; Asfaw Yemiru, da Etiópia, que foi criança de rua e quando adulto montou uma escola para pequenos carentes; Nkosi Jhonson, da África do Sul, vítima de HIV aos 12 anos.
Também fazem parte da lista Maiti Nepal, do Nepal; que atua contra o tráfego de meninas pobres do seu país para a Índia; Maggy Barankitse, que salvou crianças órfãs da guerra no Burundi em 1993; Prateep Ungsongtham, tailandesa que abriu uma escola para crianças necessitadas aos 16 anos; Dunga Mothers, grupo de mães do Quênia que atua com crianças órfãs por causa do HIV; Nelson Mandela e sua mulher Graça Machel, que trabalham pelo direito das meninas na África do Sul e em Moçambique.
Há ainda o canadense Craig Kielburger, fundador de uma organização pelo direito das crianças, a AOCM, de Ruanda, que abriga órfãos do genocídio do país; Betty Makoni, criadora de uma organização que defende os direitos das meninas no Zimbábue; e Somaly Mam, do Camboja, que foi escrava sexual e hoje trabalha para libertar meninas da mesma situação no seu país. No Brasil, o prêmio tem a parceira dos portais de educação Positivo Informática, Educacional, de particulares, e Aprende Brasil, do ensino público. Por meio deles também é possível participar da votação.

