São Paulo – A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição de ensino gaúcha, leva adiante um projeto de cooperação com a Argélia, nação árabe do Norte da África, na área de alimentos. A iniciativa tem por objetivo ajudar o país a garantir a sua segurança alimentar, pois a Argélia é altamente dependente do setor de petróleo e gás. Na sua segunda fase, iniciada no começo do ano, foram plantadas lavouras experimentais em terras gaúchas e argelinas.
De acordo com o coordenador do Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (Nesaf) da UFSM, Danilo Rheinheimer dos Santos, que está à frente do projeto na universidade gaúcha, a cooperação prevê a atuação em três frentes. Uma delas é a disseminação, na Argélia, de tecnologias para melhorar a produtividade no solo, com a disponibilização de nutrientes a partir de microorganismos desenvolvidos em laboratórios. Outra área é o uso de sistemas de microirrigação para produção de alimentos, com aproveitamento máximo da água.
A terceira área é a cobertura de solo. Os gaúchos estão ensinando os argelinos a fazerem o plantio direto, sistema pelo qual se deixa a palha da cultura anterior no solo para a semeadura do próximo produto. De acordo com Rheinheimer, lavrar a terra causa esterilização do solo e perda maior de água, com excesso de temperatura do solo e vaporação. O objetivo, porém, é adaptar estas técnicas para o país árabe. Em áreas experimentais, na Argélia e Rio Grande do Sul, as idéias estão sendo testadas, de acordo com o coordenador.
O projeto começou a ser implementado há três anos, depois que o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a incentivar a cooperação com a África. Dentro do projeto “Pró-África”, do governo federal, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou edital para cooperação com a região. Primeiramente a UFSM venceu edital para visitas exploratórias, pelo qual foram feitas várias viagens daqui para lá e vice-versa, nas quais foram discutidas e definidas as possibilidades e necessidades de cooperação.
Por meio de outro edital, a UFSM passou a desenvolver efetivamente a cooperação científica, o que começou a ser feito neste ano. Nas duas fases, a universidade trabalhou com a Argélia e também com Moçambique. No país árabe, a interlocutora da UFSM é a Universidade de Mostaganem. No Brasil, a universidade gaúcha tem a parceria da Universidade Estadual de Santa Catarina e da Universidade de Passo Fundo para a cooperação. Além de visita de pesquisadores argelinos e brasileiros, também deve haver intercâmbio de estudantes.
Rheinheimer esteve em Moçambique recentemente e deve viajar para a Argélia no mês de novembro. Além de acadêmico, ele é também diretor-presidente da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), ligada ao governo do estado do Rio Grande do Sul.

