Manaus – Assim como já anunciaram o governo federal e o governo de São Paulo, o estado do Amazonas também prepara a concessão de unidades de conservação à iniciativa privada. De quatro a seis áreas deverão ser licitadas para, principalmente, a exploração do potencial turístico tendo em vista a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014.
Manaus hospedará quatro jogos do Mundial e as unidades concedidas deverão ser às margens do Rio Negro, mais próximas da capital amazonense. De acordo com o coordenador-geral de Unidades de Conservação do Amazonas, Sérgio Gonçalves, a primeira versão do edital já está pronta, mas o governo ainda não definiu as unidades que serão licitadas.
A concessão marca nova etapa na política de unidades de conservação no Amazonas. Após a criação de áreas de proteção integral e de uso sustentável nas duas últimas décadas, o governo anuncia a intenção de melhorar a logística das áreas demarcadas. “Devemos dar um freio na criação [de unidades] e criar condições de funcionamento”, avalia Sérgio Gonçalves, referindo-se também à necessidade de que as áreas de uso sustentável tenham planos de gestão das comunidades residentes, fiscalização e atividades que gerem renda.
As 41 unidades de conservação do estado do Amazonas totalizam 18,8 milhões de hectares (ha). Além dessa área, estão protegidos 23,4 milhões de ha em unidades federais de conservação e mais 43,19 milhões de ha em terras indígenas. No total, há mais de 85 milhões de ha protegidos no Amazonas (mais de 54% da área do estado).
A proposta já foi debatida por 350 representantes da sociedade civil, inclusive da comunidade, e será discutida pelo governo em audiência pública em Manaus na próxima sexta-feira (11). Os debates antecedem o encaminhamento à Assembleia Legislativa do Amazonas, que deverá receber o projeto de lei no começo do próximo ano.

