São Paulo – O artesanato é uma atividade importante para a economia marroquina e gera dois milhões de empregos no país. As informações são do ministro marroquino do Artesanato, Anis Birrou, que está no Brasil, com uma delegação de dez empresas, na busca de novos mercados. De acordo com ele, a produção de arte gera US$ 2 bilhões no Marrocos. Isso sem contar atividades indiretas que incluem o segmento, como pintura das obras, serviços de gastronomia artesanal, o que eleva a receita do artesanato para US$ 10 bilhões no país do Norte da África.
Birrou chegou em São Paulo na última sexta-feira (10), após passar por Buenos Aires, na Argentina, e Santiago do Chile, no Chile. Essa é, segundo ele, a primeira ação conjunta do artesanato marroquino na América do Sul. “Já aconteceram iniciativas individuais das empresas”, afirmou Birrou, em entrevista à ANBA. O artesanato do Marrocos tem um forte mercado local e também é exportado, principalmente para Europa e EUA. “A nossa ideia é buscar outros mercados, como América do Sul, principalmente Brasil, e Golfo”, disse Birrou.
“O Brasil experimentou o milagre econômico e sabemos que os brasileiros gostam de tudo o que é bonito, de tudo o que é arte e tem alma. É o que produzem os marroquinos”, disse o ministro sobre a arte do seu país. Vender o artesanato do Marrocos no Brasil também tem como objetivo desenvolver as relações comerciais e humanas com o Brasil. “O Marrocos já conhecia o Brasil pelo futebol e agora conhece também pelo milagre econômico”, disse.
De acordo com o ministro, o artesanato do Marrocos é múltiplo e as peças refletem as características de cada região, tribo, da evolução da sociedade, da abertura da sociedade marroquina, da coabitação de diferentes religiões no Marrocos. No país, o artesanato tem três mil anos de história, lembra Birrou. Ele acredita que este é um bom momento para vender artesanato. "No mundo, atualmente, há uma busca por coisas feitas à mão, pela arte humana , em oposição a tudo o que é feito de forma industrial e mecânica", disse o ministro.
O ministro esteve neste sábado na abertura de uma rodada de negócios entre empresas marroquinas de artesanato e cosméticos e importadores brasileiros, no Hotel Sheraton, em São Paulo. Entre as empresas marroquinas estavam a Majka, de Casablanca, fabricante de móveis e peças para decoração doméstica em ferro e mosaico. De acordo com a designer da empresa, Maida Mekouar, essa é a primeira vez da Majka na América do Sul e Brasil. A empresa já exporta para Espanha, Alemanha e França e quer vender para brasileiros.
A Nectarome, de cosméticos, também estava na rodada de negócios em busca de mercado para seus produtos. Ela fabrica produtos como óleos para massagens, óleos para banhos, xampus, sabonetes líquidos, entre outros. Os produtos são todos orgânicos e extraídos de plantas mantidas em uma área da própria Nectarome, além de fornecidas por agricultores. A companhia exporta para 15 países e tem no Japão o seu principal mercado, de acordo com o responsável pela pesquisa na empresa, Jalil Belkamel, e a responsável pelo Departamento de Exportação, Soumaya Yaakoubi, presentes no encontro em São Paulo.
Também estiveram recebendo a delegação, neste sábado, o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, o embaixador do Marrocos em Brasília, Mohamed Louafa, e o cônsul geral do Marrocos em São Paulo, Hilton Peña. Neste domingo (12) a delegação será recebida pela diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira para um almoço.

