São Paulo – O mercado latino-americano de frutas, especialmente o brasileiro, atraiu empresas do Egito e do Marrocos para a feira setorial Fruit Attraction. A mostra é realizada no Centro de Convenções São Paulo Expo & Convention Center, em São Paulo, entre esta terça-feira (24) e a próxima quinta-feira (26).
O Egito organizou pavilhão próprio com 15 estandes. Um dos participantes é o gerente geral da Palm Egypt, Maamoun Mansour. Em sua primeira participação no evento, a Palm Egypt veio apresentar as frutas da empresa, entre elas o carro-chefe: as tâmaras. Sediada em Menoufia, ao Norte do Cairo, a empresa controla todo o seu processo produtivo do plantio até o embarque.

“Estou pela primeira vez em São Paulo. Consideramos o Brasil o maior ambiente de negócios da América Latina. Vim para checar oportunidades de cooperação, especialmente no mercado de tâmaras”, disse.
As exportações da Palm Egypt somam 800 toneladas por ano para destinos como Turquia, Cazaquistão, Rússia, Alemanha, Espanha, França e Canadá. “O consumo de tâmaras no mundo está se diversificando e crescendo e vemos o Brasil como um mercado muito promissor”, disse Mansour à ANBA.
Diretor-geral da El Moughrabi, Ahmed El Maghraby, afirmou que a empresa egípcia participa da feira pela segunda vez. A primeira foi em 2025. A companhia já exporta ao Brasil em embarques que estão dobrando a cada ano, mas ainda são pequenos se comparados aos volumes enviados para Ásia e Europa.
“Queremos aumentar nosso mercado na América Latina, principalmente no Brasil”, disse, afirmando que o País ainda tem um consumo de “nicho”. Eventos como a feira, porém, disse El Maghrabi, são oportunidades de encontrar mais potenciais compradores para suas laranjas, tangerinas e limões.

Os cítricos são também o foco da Daltex, do Egito. A gerente comercial regional, Randa El Gabry, afirmou que a empresa visitou a Fruit Attraction em sua primeira edição, em 2024, e passou a expor no ano seguinte. Já celebrou negócios no Brasil e tem clientes em todo o país.
“O Brasil é um grande mercado para cítricos, especialmente em razão dos problemas do ano passado. Nós queremos atender ao mercado nacional na mudança de safra: quando acaba a safra aqui, começa no Egito e podemos exportar para cá”, disse.
El Gabry e El Maghrabi citaram a redução na produção brasileira como oportunidade para atender a demanda local. Nos últimos anos, as lavouras de cítricos têm sido atingidas no Brasil pela praga conhecida como greening. Ao lado do tempo seco e de outras doenças, ela tem provocado a redução da produtividade.
Da empresa marroquina Zalar Farms, a diretora Comercial e de Logística, Imane Rincon Sanchez veio para o Brasil buscar mais clientes para as tangerinas que a companhia passou a vender ao País no ano passado. No Brasil, disse, a fruta ainda é vista como um produto premium. “O mercado brasileiro tem enorme potencial”, afirmou. A empresa exporta ao Brasil, em média, um contêiner por semana entre a metade de janeiro e a metade abril: este é o período de safra no Marrocos, mas, na avaliação da executiva, é possível ampliar para cinco contêineres por semana entre janeiro e abril.
El Maghraby afirmou que o conflito no Oriente Médio ainda não prejudica as rotas do Norte da África ao Brasil, porém se reflete em um aumento nos seguros cobrados pelos armadores e em uma falta de contêineres, pois muitos destes equipamentos estão presos em portos do Oriente Médio.
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