São Paulo – Artesãos do estado de Minas Gerais mostraram seus trabalhos em Mascate, capital de Omã, no último mês, e começam a fazer planos para o mercado do Oriente Médio. Convidado pela organização do Muscat Festival por meio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e Embaixada de Omã em Brasília, um grupo de três pessoas levou ao país árabe produtos feitos manualmente como utensílios em pedra sabão, bijuterias, peças de decoração e flores em tecido.
“Estamos agora buscando indicações de feiras na região voltadas para lojistas”, afirma o auxiliar de exportação da organização não governamental Mãos de Minas, Lucas de Melo Corrêa, que viajou a Omã junto com os artesãos Luciani Ribeiro Amorim e Evandro Baccara Kelmer.
O Muscat Festival é voltado para o público em geral e funciona como um grande evento cultural e de entretenimento, com pavilhões onde são expostos produtos de diversos países. Os artesãos mineiros chegaram a fazer vendas diretas para os consumidores no festival, apesar de este não ser normalmente o foco das viagens deles ao exterior. Corrêa, no entanto, afirma que se forem convidados, voltarão a participar do Muscat Festival no ano que vem. “É bom para fazer vendas ao varejo e vale a pena voltar para fazer o marketing do artesanato brasileiro em ano de Copa do Mundo no Brasil”, afirmou Corrêa à ANBA.
De acordo com o profissional da Mãos de Minas, o público do Muscat Festival não era formado apenas por locais, mas também por estrangeiros de países como Rússia, Tailândia, Índia, Coreia do Sul e até do Brasil. “Encontramos muitos estrangeiros, muitos brasileiros”, afirmou, lembrando que o país árabe recebe um grande número de trabalhadores do exterior.
Corrêa diz que os artesãos se depararam com a capacidade de negociação dos árabes. “Se você faz uma promoção, compre dois e leve três produtos, eles querem o quarto”, conta. Segundo ele, a participação serviu com uma primeira experiência na região.
As flores de tecidos levadas pela artesã Luciani Ribeiro Amorim fizeram sucesso na região. Ela trabalha com um grupo de terceira idade, que confecciona o produto. “Os árabes gostam de flores coloridas”, conta Corrêa. O outro artesão, Evandro Baccara Kelmer, levou produtos feitos por comunidades indígenas, como colares, brincos, chocalhos, anéis, quadros, entre outros. Também foram levados utensílios em pedra sabão do artesão Junior Flaviano Mapa, como panelas, vasos e potes para sal. Cada um contou com um estande.
O Muscat Festival ocorreu de 14 a 28 de fevereiro e a viagem dos mineiros foi bancada pela organização. O responsável pela área de Negócios e Mercados da Câmara Árabe, Rafael Abdulmassih, acompanhou os artesãos em um dia durante o evento.
A ONG Mãos de Minas trabalha no apoio à comercialização dos artesãos. Ela tem parceria com outra organização do mesmo tipo, o Instituto Centro Cape, que atua na capacitação deles. De acordo com Corrêa, a Mãos de Minas atinge ao redor de 1,7 mil artesãos e entre suas ações está a participação em feiras e eventos no exterior para mostrar o trabalho dos seus integrantes. Alguns dos artesãos fazem exportações por meio destes contatos e outros, inclusive, exportam de forma independente.

