Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil quer conhecer melhor o mercado de carnes da Líbia e começou a trabalhar por isso nesta semana. Ontem (01) foi o primeiro dia de atividades do gerente de comércio exterior da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Márcio Caparroz, no país árabe. Caparroz está na Líbia para entender melhor o mercado local e com isso abrir mais portas no país para a carne brasileira. A visita do executivo é acompanhada pelo coordenador de Desenvolvimento de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rodrigo Solano, e o analista do departamento, Marcus Vinicius.
Eles também vão participar da Feira Internacional de Trípoli, que começa hoje (02), na capital líbia, e na qual a Câmara Árabe terá um estande. Ontem, Caparroz e os profissionais da Câmara Árabe estiveram com o embaixador do Brasil em Trípoli, Luciano Ozório Rosa, na sede do Conselho dos Empresários da Líbia e visitaram o varejo local de carnes, como supermercados e açougues de rua. No Conselho, Caparroz teve contato com representantes de empresas de carnes, aves e rações. Aos interessados em comprar carne brasileira, o diretor da Abiec ensinou como chegar até empresas nacionais da área.
De acordo com Caparroz, os contatos feitos até ontem no país árabe indicam que existe na Líbia tanto mercado para a carne mais barata quanto para as carnes diferenciadas, com maior valor agregado. Ele explica que por algum tempo o Brasil vendeu aos líbios carne para hambúrguer, que foi usada, no país, para venda em açougues, o que prejudicou o produto brasileiro, já que a carne de hambúrguer é mais dura que a vendida em cortes. Por isso, Caparroz acredita que é preciso que o Brasil faça uma adequação ao mercado e ofereça a cada segmento o tipo de produto que cada um requer.
“Também precisamos entender a cultura local, como eles fazem negócios”, disse Caparroz à ANBA por telefone. Esse é também um dos objetivos da visita do representante da Abiec ao país árabe. Ele vai trazer as informações obtidas na viagem à indústria brasileira. De acordo com Solano, da Câmara Árabe, já foi possível perceber o perfil do varejo da Líbia. Não existem no país, segundo ele, grandes hipermercados, ao estilo brasileiro. O que há são açougues de rua e açougues dentro de supermercados. A maioria dos supermercados, porém, de acordo com Solano, é de médio e pequeno porte.
“Aqui grandes brokers importam e distribuem ao pequeno varejo”, afirma Solano. Um dos objetivos das atividades da Abiec na Líbia é também verificar as possibilidades de exportação direta, já que, segundo Caparroz, o Brasil muitas vezes vende ao país por meio de outros países. Para isso, um dos passos que precisa ser dado, explica o gerente de comércio exterior, é a maior integração do sistema financeiro da Líbia com o brasileiro para facilitar as garantias nos contratos de comércio exterior. O Brasil exportou à Líbia, em 2007, US$ 37 milhões em carne bovina, com 19 mil toneladas.
Hoje começa na Líbia a Feira Internacional de Trípoli. O estande brasileiro, na mostra, terá 54 metros quadrados e servirá como ponto de apoio para as empresas Friboi, produtora de carnes, e Grendene, fabricante de calçados. A feira é multissetorial. Os profissionais da Câmara Árabe estarão no estande para dar informações a respeito dos demais setores produtivos do Brasil. A feira costuma reunir dois mil expositores de 30 países. Um representante da Associação Brasileira de Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo) também estará na Líbia a partir do próximo final de semana para buscar mercados para os produtos do setor.

