Brasil tem potencial para turismo halal

Painel sobre halal do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes falou das oportunidades que o turista muçulmano pode encontrar no mercado brasileiro, caso haja investimento em adequação das estruturas.

André Barros
andre.barros@anba.com.br

São Paulo – O potencial turístico do Brasil para viajantes muçulmanos poderia ser melhor explorado – e os investimentos não seriam tão elevados. Segundo Ibrahim Abu-Helil, consultor da área de turismo na Jordânia, algumas adaptações simples credenciariam hotéis e atrações a receberem muçulmanos, o que já vem sendo feito em outros destinos.

“O Brasil desperdiçou muito tempo, mas ainda há oportunidade para participar nesse mercado de turismo halal”, afirmou o consultor durante o painel Halal do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira na segunda-feira (02), no Hotel Unique, em São Paulo. Segundo ele, o turismo halal movimentou US$ 192 bilhões no ano passado em todo o mundo e deverá girar US$ 233 bilhões em 2020.

Ele diz que pequenas adaptações, como oferta de tapetes para reza, criação de horários específicos de uso de piscina para muçulmanos e capacitação da equipe ajudariam a credenciar o estabelecimento turístico como halal. “No Japão, por exemplo, o governo criou incentivos [para alavancar o turismo halal]”, lembrou o consultor, que citou o país asiático como um exemplo em investimento para receber turistas muçulmanos.

Os participantes do painel ressaltaram que o halal não é um produto ou serviço, mas um estilo de vida. O diretor da Câmara Árabe, Mohamad Orra Mourad, disse que a economia halal, somando alimentos, cosméticos, vestuário, finanças islâmicas e turismo movimenta US$ 2 trilhões por ano para um mercado de 1,6 bilhão de consumidores.

“Tudo o que fazemos, comemos, depende do halal”, disse Mohamed Saleh Badri, secretário-geral do Fórum Internacional de Acreditação Halal (IHAF), entidade que busca uniformizar o halal para as 57 nações de população majoritariamente muçulmana. “O valor do consumo halal vai chegar a US$ 5 trilhões dentro de poucos anos”.

Abdur Ghulam Nabi, conselheiro da Autoridade da Zona Franca do Aeroporto de Dubai, ressaltou a relevância que o halal tem conquistado dentro de multinacionais e marcas reconhecidas. “Eles querem participar da cultura halal”.

Para Badri, do Ihaf, quem entende o halal como parte da religião está equivocado. Segundo ele, há inclusive consumidores que não seguem o Islã aderindo aos produtos halal pela segurança oferecida, o respeito ao ser humano em seu processo de fabricação e a qualidade do produto.

Acordo

Antes do painel, Ted Lago, presidente do porto de Itaqui, e o vice-presidente e ministro da Zona Econômica do Canal de Suez, Admiral Abd El Kader Darwish, assinaram um acordo de cooperação entre os dois empreendimentos comerciais. O presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, participou da cerimônia.

Sérgio Tomisaki/ANBA

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