São Paulo – A economia brasileira tem demonstrado “notável resiliência” diante das incertezas globais, mas reformas fiscais “relevantes” serão fundamentais para colocar a dívida pública em trajetória descendente. Essa avaliação foi divulgada nesta segunda-feira (1) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que, entre 18 e 29 de maio, se reuniu com autoridades brasileiras para avaliar o desempenho econômico do País.
De acordo com o documento final assinado pelo chefe da missão do FMI no Brasil, Daniel Leigh, o Brasil está relativamente protegido dos aumentos globais do preço do petróleo por dois motivos: é um exportador líquido do produto e tem grande parcela da sua energia gerada a partir de fontes renováveis, como hidrelétrica e solar.
“O crescimento desacelerou em 2025, refletindo os efeitos da política restritiva e da redução do impulso fiscal, o que contribuiu para a desinflação. Os indicadores de alta frequência apontam para uma retomada da economia no início de 2026. Projetamos o fortalecimento gradual do crescimento, alcançando uma taxa de cerca de 2,5% no prazo médio”, afirmou Leigh.
A avaliação do FMI é de que a economia brasileira conta com políticas públicas sólidas, um sistema financeiro robusto e capitalizado, reservas internacionais “adequadas” e regime de câmbio flutuante, fatores que apoiam a resiliência diante de instabilidades. Há, porém, o desafio de se reduzir a dívida pública brasileira, equivalente a 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central do Brasil.
Para reduzir a dívida, o fundo recomenda poupar receitas obtidas a partir da exploração de petróleo e promover um ambicioso esforço fiscal apoiado por reformas que ajudem na redução de renúncias fiscais. O documento avalia, ainda, que reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica respaldam as perspectivas de médio prazo.
“Manter os esforços para melhorar o ambiente de negócios, fomentar a concorrência, ampliar a participação na força de trabalho e promover políticas de descarbonização fortaleceria ainda mais a produtividade, o investimento e o crescimento inclusivo”, avalia o FMI.
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