São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) da Arábia Saudita deverá crescer 1,7% neste ano em comparação com o ano passado, de acordo com estimativas divulgadas nesta quarta-feira (29) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em avaliação sobre o desempenho econômico do país árabe, o FMI afirmou que o crescimento deste ano deverá ser menor do que os 4,6% registrados no ano passado em razão das incertezas no Golfo. Mesmo com o conflito que atinge a região, o FMI afirmou que a economia saudita demonstra ter agilidade e resiliência em razão dos seus sólidos fundamentos econômicos.
Na avaliação do Fundo, a redução das navegações pelo Estreito de Ormuz interromperam atividades, suspenderam entregas e restringiram o comércio. Mesmo com os desafios, os sauditas conseguiram escoar a produção de petróleo por meio do oleoduto Leste-Oeste, o que limitou a queda nas entregas. Além disso, o aumento do preço do petróleo compensou as perdas provocadas pela queda nas entregas do produto.
Pelo Estreito de Ormuz passa, aproximadamente, 20% da produção mundial de petróleo e gás, além de outros derivados de petróleo. Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a navegação pelo Estreito de Ormuz foi praticamente interrompida, o que afetou as exportações dos países produtores de petróleo. A Arábia Saudita, que tem parte da sua costa no Golfo, conseguiu escoar a produção para o outro extremo do país, no Mar Vermelho, e, de lá, exportar, o que reduziu os impactos sobre sua economia.
Na avaliação do FMI, o crescimento da economia foi proporcionado pela demanda interna e pelo setor não-petrolífero, que, no entanto, deverá sofrer impactos e crescer menos neste ano. “A atividade continuará a ser impulsionada pela demanda interna, sustentada por emprego estável, gastos governamentais robustos e a execução constante de projetos de investimento”, afirmou o documento do FMI. A inflação, que ficou abaixo de 2% no ano passado, deverá subir a 2,2% neste ano em razão do aumento dos custos com transporte marítimo e seguros.
O Fundo destacou, porém, que as perspectivas econômicas para o país dependem da evolução do conflito, pois mais interrupções à navegação no Estreito de Ormuz podem causar novos impactos no comércio, minar a confiança, afetar o crescimento e a diversificação a econômica. Para o médio prazo, a expectativa do FMI é de crescimento proporcionado por consumo e investimentos em projetos liderados pelo governo dentro do plano de diversificação econômica Visão 2030.
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