São Paulo – A economia global resistiu melhor do que esperado ao choque da oferta de energia desencadeado pelo conflito no Oriente Médio, segundo o relatório Perspectivas Econômicas 2026 divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira (23). O organismo projeta crescimento econômico global de 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027, mas alerta que a evolução do conflito no Oriente Médio permanece altamente incerta e representa riscos às projeções.
Segundo a OCDE, o impacto relacionado ao petróleo foi atenuado pelo maior uso de rotas de abastecimento alternativas, redução dos estoques, aumento da produção fora do Golfo e pela menor demanda, principalmente da China. Mas o organismo afirma que interrupções mais persistentes nas exportações de energia do Oriente Médio, ou choques de oferta relacionados ao clima, podem afetar o crescimento global.
Entre as grandes economias, a OCDE projeta crescimento de Produto Interno Bruto (PIB) para os Estados Unidos em 2,2% neste ano e em 2,1% no ano que vem. Para a zona do euro, o crescimento estimado é de 1% nos dois anos e na China espera-se que a economia avance 4,5% em 2026 e 4,2% em 2027. A maior economia árabe, a Arábia Saudita, deve ter recessão de 1,8% neste ano, mas crescer 4,1% em 2027, segundo a OCDE. Para o Brasil há estimativa de avanço de 2% neste ano e de 1,9% no ano que vem.
No contexto mundial, a organização informa que as constantes pressões inflacionárias e a incerteza continuam a afetar as perspectivas de curto prazo. A inflação projetada para as economias do G20 é de 4,1% em 2026 e de 3,6% em 2027. Segundo a OCDE, os riscos permanecem inclinados para o lado negativo, com aumento dos rendimentos dos títulos soberanos de longo prazo intensificando pressões fiscais junto a governos, rápido investimento em IA demandando financiamento externo e eventos climáticos podendo agravar as pressões existentes sobre as cotações das commodities e elevar os preços dos alimentos.
“O crescimento global se manteve melhor do que o esperado, mas as reservas que absorveram o choque energético estão se esgotando. O crescimento está mais fraco do que no ano passado e a inflação está subindo novamente”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em material divulgado. Segundo ele, governos precisam direcionar o apoio para onde é mais essencial, colocar os gastos públicos em uma trajetória sustentável e construir bases de crescimento de longo prazo, com habilidades mais robustas, fontes de energia mais diversificadas e adoção mais rápida da Inteligência Artificial.
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