São Paulo – Cerca de 80 empresas brasileiras vão buscar mercado no Irã, Egito e Líbano a partir desta segunda-feira (12). Eles farão parte de uma missão comercial promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), e liderada pelo ministro da pasta, Miguel Jorge. De acordo com o ministro, a expectativa é de que sejam feitos negócios e discutidos investimentos, tanto do Brasil na região como de lá para cá. “Vamos tentar atrair investimentos em petróleo – em função do pré-sal -, em agricultura, etanol”, disse Miguel Jorge em entrevista à ANBA. A delegação fica na região até a sexta-feira (16).
Juntos, Irã, Egito e Líbano formam um mercado de cerca de 152 milhões de habitantes, um pouco menor que o Brasil. “As empresas que vão participar da missão têm uma característica: já são exportadoras. E elas sabem que não existe mercado pequeno ou grande, qualquer mercado é mercado”, disse o ministro. Miguel Jorge lembrou que a política do seu ministério, de vender em mercados grandes e pequenos e diversificar destinos, fez aumentar as exportações. “Em 2002, nosso comércio com os EUA representava 25% das exportações. Nos dois primeiros meses deste ano era de um pouco mais de 12%. E aumentamos as exportações para lá”, afirmou Miguel Jorge.
No ano passado, as exportações para os três países da missão alcançaram US$ 3 bilhões, enquanto as importações brasileiras ficaram em apenas US$ 100 milhões. O que explica o superávit para o Brasil, segundo Miguel Jorge, é a exportação de alimentos. “Eles produzem muito pouco”, explicou, a respeito dos alimentos. Essa é a terceira missão que inclui países árabes da qual Miguel Jorge participa. Além disso, ele já esteve reunido com ministros de nações árabes em uma reunião da Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos (Aspa), na Arábia Saudita, há cerca de dois anos. O Irã fica no Oriente Médio, mas não é país árabe.
A delegação será integrada por empresas de todos os portes. Há um bom número, porém, de indústrias de médio e pequeno porte. Na lista estão nomes como Cargill Agrícola, Construtora Norberto Odebrecht, frigorífico Minerva, Mococa Produtos Alimentícios, Randon, Usiminas, Parmalat, Maratá Sucos, Artely Móveis, Comercial Exportadora WK, Poliron Cabos Elétricos, Digitel Industria Eletrônica e Leone Equipamentos Automotivos. “Toda participação em missão brasileira tem retorno positivo para a empresa”, diz Vinícius Leone, gerente de Comércio Internacional da Leone, que tem matriz na capital paulista.
A Leone
A Leone vai à missão para abrir mercado na região. Até hoje, no mundo árabe, a empresa fez apenas uma venda, para Omã, há cerca de um ano e meio. A companhia fabrica equipamentos automotivos, mas também comercializa produtos de multinacionais do segmento. No exterior, no entanto, o que ela oferece são projetos de ambientes completos, tais como oficinas mecânicas e lava-rápidos. Nesta viagem, o objetivo principal é oferecer um contêiner-posto de combustível. O posto é montado dentro de um contêiner, para fácil transporte, com bomba, tanque e todos os equipamentos necessários. “É tecnologia nossa”, contou Vinícius.
A Digitel
A Digitel, que tem sede na capital gaúcha, fabrica produtos para telecomunicações, como roteadores, modems e multiplexadores. Ela participa da delegação com a intenção de buscar um parceiro para a representar na região. Em função de ser uma empresa de tecnologia, a Digitel precisa de um representante comercial e também de um técnico que tenha contatos no segmento de telecomunicações, explica o gerente de mercado internacional, Beto Flesch. Os produtos são oferecidos para operadoras de telefonia fixa e móvel. A ida à região, segundo Flesch, faz parte da estratégia de expansão de mercados da companhia, que exporta para 14 países. A Digitel emprega 175 pessoas e fatura cerca de US$ 30 milhões ao ano.
A Poliron
A fabricante de cabos elétricos Poliron, que fica no município paulista de Diadema, participa da missão com o objetivo de buscar negócios com a indústria de petróleo e gás. Entre os produtos que ela fabrica há cabos que podem ser usados para indústrias da área, como refinarias e plataformas de petróleo. A Poliron foi fundada em 1947 e exporta para 14 países, principalmente nas Américas. Mas também vende, segundo a gerente de exportação, Solange Teixeira Gonçalves, para Europa e África. Solange acha que há boas perspectivas de negócios com a região, mas não acredita em vendas durante a viagem, já que, com os árabes, segundo ela, é preciso maior conhecimento e relação entre as partes.

