Brasileiros lideram Mundial de Rali Cross Country

Depois de vencerem a primeira etapa do Campeonato Mundial de Rali Cross Country, no Catar, Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin se preparam para a segunda prova, em Abu Dhabi. Eles disputam a categoria UTV.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Depois de vencerem a primeira etapa do Campeonato Mundial de Rali Cross Country, dois brasileiros se preparam para ir a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin saíram vitoriosos entre os UTVs após cinco dias de prova no Catar, em fevereiro. Na primeira etapa, a dupla recebeu em Doha o prêmio de U$S 6mil (foto acima). Os UTVs são veículos fora de estrada para dois ocupantes. A dupla venceu o tradicional Rali Dakar na categoria em 2018 e ficou na terceira colocação na prova deste ano, realizada em janeiro.

A etapa no Catar foi a primeira das cinco que formam o circuito global. “As etapas são longas em um Mundial de Cross Country – cada uma vai de 5 a 6 dias, parecido com a Fórmula 1. São várias etapas, que vão somando pontos”, explicou Gugelmin (esq., na foto), que atua como navegador da dupla, enquanto Varela pilota o veículo. Além de Abu Dhabi, onde as provas começam no dia 31 de março, os dois ainda vão disputar provas no Turcomenistão, Cazaquistão e, por último, Marrocos.

Varela corre há mais de 30 anos e Gugelmin começou no esporte com o pai. Os dois se conheceram em 2012, mesmo ano em que foram campeões mundiais do campeonato que disputam agora, mas em outra categoria, a de carros T2. A dupla conquistou também o título do Rally dos Sertões em 2015.

Terreno das provas no Catar. ‘Um mar de pedra’, definiu Gugelmin.

Apesar das diferenças que separam o Brasil dos países da região, competir nestes terrenos não é exatamente novidade para a dupla. Essa foi a quarta vez que eles correram no Catar. “São terrenos completamente diferentes do que a gente encontra no Brasil. No Catar, é um mar de pedra. É difícil você achar o caminho certo, é um rali difícil. Lá são as chamadas dunas quebradas, com muita ação do vento. Em Abu Dhabi já muda a característica. É 100% de dunas extremamente altas, temperatura mais alta ainda, ou semelhante do que no Catar”, revelou o piloto, que já chegou a correr em temperaturas de até 50 graus em outras provas.

Há dois anos, eles correm na categoria UTV, da sigla para Utility Task Vehicle, ou “veículo utilitário multitarefas”, em inglês, e utilizam um modelo Maverick X3. “É a primeira vez que um brasileiro ganha uma etapa do mundial de UTV”, afirmou Gugelmin. As provas em Abu Dhabi ocorrem ao longo de cinco dias.

Os treinos da dupla costumam ocorrer no Brasil. “No mundo, a gente vai treinando conforme vai participando. Com relação aos terrenos do Catar, por exemplo, tivemos uma prova em dunas em Lima, no Peru [em condições parecidas]. Mas não consigo treinar especificamente no Catar. São vários anos correndo para adquirirmos experiência pra chegar nesse nível”, complementou.

Paralelamente às competições, Gugelmin trabalha com importação de peças de corrida e acessórios 4×4. Já Reinaldo é fundador da franquia Divino Fogão. Gugelmin explica que os dois costumam aproveitar as provas para conhecer os países e a cultura local. “Adoro os países árabes! Adoro a comida. Nos primeiros anos íamos uma semana antes ou ficávamos uma semana depois. Acabamos fazendo turismo depois da corrida. O Catar está lindo também, vai ser sede da Copa [do Mundo] e estou impressionado com o desenvolvimento que estão fazendo no ramo de construção. Cada ano que eu vou lá está mais desenvolvido”, conclui Gugelmin.

Marian Chytka
Marian Chytka

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