Alexandre Rocha
Alexandre.rocha@anba.com.br
Jundiaí (SP) – O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, apresentou ontem (13), em seminário na sede regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Jundiaí, no interior do estado, um panorama econômico do mundo árabe e do potencial de negócios para as empresas brasileiras. O evento reuniu mais de 30 representantes de companhias da região, que tem forte vocação industrial e exportadora.
“O comércio com os países árabes tem ainda um espaço muito grande para crescer”, disse Alaby. Segundo ele, apesar das relações comerciais terem aumentado muito nos últimos anos, as vendas do Brasil representam apenas 1,5% do total importado pelo mercado árabe e as importações brasileiras 0,78% do que os árabes exportam.
Nos últimos anos, porém, o ritmo do crescimento das exportações brasileiras ao Oriente Médio e Norte da África se intensificou. Em 2006, por exemplo, os embarques renderam US$ 6,7 bilhões, 28% a mais do que em 2005. De janeiro a maio de 2007, as vendas chegaram a US$ 2,6 bilhões, um aumento de 26,6% sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
“Os árabes estão conhecendo um pouco mais do Brasil, justamente por causa do trabalho da Câmara Árabe e de uma presença maior dos exportadores brasileiros na região”, afirmou Alaby. Além disso, ele acrescentou que os árabes nutrem simpatia pelo Brasil por sua postura diplomática pacífica, pela grande presença de imigrantes árabes e descendentes no país – comunidade estimada em 12 milhões de pessoas -, pelo amor ao futebol e por ligações históricas demonstradas, por exemplo, nas cerca de 5 mil palavras de origem árabe existentes na língua portuguesa.
Como exemplo de setor que pode ampliar muito suas vendas aos árabes ele citou o de alimentos. “Tudo o que diz respeito ao setor de alimentos tem grande potencial, sejam chocolates, sucos, polpas, frutas, biscoitos, balas, doces, etc.”, afirmou.
Alaby disse também que os 22 países árabes têm um produto interno bruto (PIB) somado de US$ 1,2 trilhão e são poucas as barreiras comerciais. Ele deu detalhes sobre costumes empresariais, como a preferência pela negociação olho no olho, adaptações de produtos e necessidade de obtenção de vistos para viajar para vários dos países.
O diretor do departamento de comércio exterior do Ciesp em Jundiaí, Mauritius Reisky, que tem negócios no mundo árabe, reforçou as explicações de Alaby, principalmente no que diz respeito ao método de negociação. Mais do que um preço competitivo, os árabes prezam uma boa relação pessoal, qualidade, compromissos de médio e longo prazo e confiança no cumprimento de prazos e entrega de mercadorias.
O seminário durou cerca de 1h30 e os empresários fizeram várias perguntas sobre particularidades do mercado árabe, como potencial para os ramos de refrigeração, commodities agrícolas e chocolates. Alaby falou também dos serviços da Câmara Árabe, como inteligência de mercado, ações de promoção comercial, tradução, certificação de origem e de documentos e comunicação, incluindo a ANBA.
Prefeito
Antes da palestra, Alaby foi recebido pelo prefeito de Jundiaí, Ary Fossen, que falou sobre a economia da cidade. Ele disse que grandes empresas estão instaladas na cidade, como a Siemens, Coca-Cola, Ideal Standard, Duratex, Roca, Frigor Hans, Mahle, Ambev, Cereser, entre outras, e acrescentou que hoje o município é um entreposto logístico, com acesso às rodovias Bandeirantes e Anhanguera, duas das melhores do país, a ferrovia Jundiaí-Santos, operada pela MRS Logística, e o aeroporto que recebe um tráfego intenso de aeronaves executivas.
Fossen destacou também que a cidade tem abastecimento de água garantido pelo menos pelos próximos 20 anos e que a prefeitura dá apoio logístico para a implantação de indústrias, como a realização de obras viárias.
Também participaram do encontro secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Yatim, que é filho de sírios, o diretor de cooperação internacional da prefeitura, Miguel Potenza, e o diretor de recursos internacionais, Leandro Nalini.
Yatim destacou que 800 indústrias de pequeno, médio e grande porte estão instaladas na cidade. Elas geram 40 mil empregos, sendo que o município tem uma população de 346 mil habitantes. Fossen acrescentou que o setor industrial representa 53% da economia do município.
Segundo Potenza, as exportações de Jundiaí renderam cerca de US$ 450 milhões no ano passado. Os principais produtos embarcados foram louças sanitárias, transformadores elétricos, carne desossada e bebidas.
Jundiaí tem também forte vocação agrícola, especialmente na produção de frutas. Lá são cultivadas uvas, morangos, caquis, pêssegos, entre outros produtos.
Contatos
Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Jundiaí
Tel: +55 (11) 4589-8545
Fax: +55 (11) 4589-8417
Site: www.jundiai.sp.gov.br
Ciesp Jundiaí
Departamento de Comércio Exterior
Tel: +55 (11) 4815-7941 / 3859
E-mail: ciespjun@ciespjun.com.br
Site: www.ciespjun.com.br

