Cenário externo desafia geração de emprego no Oriente Médio

FMI divulgou perspectivas econômicas para Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão. Organismo pede reformas pelo crescimento para que seja possível gerar empregos em ambiente de volatilidade do preço do petróleo, baixo crescimento e tensões geopolíticas e comerciais.

Da Redação
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São Paulo – Os países do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão (Menap) enfrentam o desafio de gerar empregos em meio ao cenário internacional mais desafiador, de baixo crescimento e tensões comerciais, volatilidade dos preços do petróleo e dívida pública alta entre os importadores da commodity. Essas são as perspectivas econômicas para a região apresentadas em documento do Fundo Monetário Internacional (FMI) na segunda-feira (29).

“Na melhor das hipóteses, os países da região do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão enfrentariam a formidável tarefa de criar empregos para os milhões de jovens que entram no mercado de trabalho”, diz o FMI. Diante do cenário desafiador para fazer isso, o organismo afirma que se tornam mais urgentes que nunca as reformas que criam resiliência e ajudam a garantir crescimento maior e inclusivo, liderado pelo setor privado.

Segundo o FMI, o crescimento dos exportadores de petróleo da Menap, no entanto, seguirá moderado sobre o ano passado. Enquanto a economia dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) está projetada para melhorar ligeiramente, de 2% em 2018 para 2,1% em 2019, a redução da atividade econômica do Irã impactará no avanço dos exportadores de petróleo da região como um todo, que deverá alcançar 0,4% neste ano. O GCC é formado por Emirados, Arábia Saudita, Catar, Omã, Bahrein e Kuwait.

Já o crescimento dos países importadores de petróleo na região deverá diminuir de 4,2% em 2018 para 3,6% em 2019, refletindo a desaceleração global e fatores internos. O FMI lembra que neste universo há exceções, caso do Egito, cuja economia segue com forte desempenho, contrastando com países como Paquistão, com fraco dinamismo.

De acordo com o FMI, um fator que moldará as perspectivas econômicas da região é a volatilidade do preço do petróleo. A cotação do petróleo bruto Brent estava em cerca de US$ 69 em janeiro de 2018, passou a US$ 81 em outubro, depois abriu janeiro de 2019 em US$ 59 e em março estava em US$ 66. Nesta segunda-feira (29) fechou em mais de US$ 70. Havia uma tendência de preços baixos, mas tensões e cortes na produção estão fazendo o valor subir.

Segundo o FMI, a tendência de volatilidade do petróleo deve seguir, em meio a tensões comerciais globais, sanções ao Irã e estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de se unir a países não membros, e outros riscos geopolíticos, preocupações com segurança e incerteza sobre as condições financeiras globais.

Esses fatores devem afetar o saldo fiscal dos países. Os índices da dívida pública seguem crescendo em países importadores de petróleo, apesar dos esforços de consolidação fiscal. O nível de endividamento de alguns países, como Egito, Jordânia e Líbano, excede 80% do Produto Interno Bruto (PIB), limitando a possibilidade de gastos sociais e com infraestrutura e deixando as economias mais vulneráveis a condições financeiras menos favoráveis.

O FMI afirma que há mais urgência em os países buscarem reformas que levem ao crescimento, com a liderança do setor privado e que beneficiem a todos. “Isso significa promover um ambiente de crescimento inclusivo que possa atrair investimentos – área em que tanto importadores como exportadores de petróleo da região estão bem atrás dos seus pares -, criar empregos e impulsionar a inovação”, diz o documento.

Khaled Desouki/AFP

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