Clube literário e biblioteca reúnem brasileiros em Dubai

O Clube Literário Dubrasil congrega brasileiros em Dubai desde 2015. Neste ano, uma de suas fundadoras lançou também uma biblioteca infantojuvenil no emirado.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Fundado em 2015, o Clube Literário Dubrasil reúne brasileiros amantes da literatura, especialmente em língua portuguesa, que vivem em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Neste ano, o grupo ganhou uma nova possibilidade de lazer, uma biblioteca infantojuvenil com livros em português e inglês.

O espaço que já conta com 400 títulos fica na casa da paulistana Veronika Topic Eleutério (foto acima). Ela é uma das fundadoras do Dubrasil e conta que, como o fluxo de participantes é alto, os livros particulares passaram a ser uma herança coletiva. “Aqui é uma cidade de chegadas e partidas constantes. A nossa comunidade brasileira está sempre morando em vários países. E quando as pessoas estavam indo embora, perguntavam quem aceitava doações dos livros e eu dizia que eu. Assim, formei a bibliotequinha para as crianças pegarem os livros. E começou a funcionar em fevereiro”, conta ela.

A biblioteca infantil já conta com 400 livros

A brasileira optou por focar o novo serviço no público infantil e conta que nas férias de verão a demanda foi alta. “Entre julho e agosto, nós alugamos 88 livros. É tudo gratuito. As crianças podem vir e escolherem quantos livros quiserem. Eu fotografo os títulos que saíram e dentro de um mês eles devolvem para o acervo”, explicou.

A brasileira tem formação em Psicologia e vive no emirado desde 2014. Já na mudança para o Oriente Médio, Eleutério deixou claro sua prioridade. “O livro, para mim, sempre foi um divisor de águas. Quando viemos, vendemos tudo de casa, e trouxemos apenas os livros”, revelou ela sobre a bagagem, que somou cerca de 1 mil títulos.

Durante a pandemia, o Dubrasil passou a fazer reuniões virtuais. “As ex-integrantes do clube puderam, inclusive, voltar a participar. Ficou um grande grupo novamente”, revela Eleutério. “Nosso objetivo é difundir paixão por leitura, conhecer novos povos, e quebrar preconceitos e tabus. Eu acredito que o livro tem essa capacidade de fazer você compreender o outro e descobrir que ele é parecido com você, mesmo tendo culturas diferentes”, concluiu.

Foi inspirada nas histórias que contava para seu filho que a brasileira criou seu primeiro livro

Como não pôde exercer sua profissão de psicóloga em Dubai, a brasileira tomou a literatura como propósito, e acabou se descobriu também uma escritora. Ela lançou primeiro livro neste ano pela Editora Rua do Sabão, do Brasil. O título infantil “Cissa e a Diversidade” tem versão bilíngue, com textos em português e inglês, e está à venda pelo site da Amazon.

A iniciativa é sem fins lucrativos e a escritora está em contato com instituições para organizar a doação de livros para leitores no Nordeste do Brasil. “Estou em conversa com algumas pessoas e a ideia é que as vendas [do meu livro] possibilitem que mais obras cheguem ao Nordeste. É a região que mais lê no País e que eu tenho um carinho muito grande”, destacou. Das dez capitais que mais leem no Brasil, cinco estão no Nordeste, segundo ranking divulgado em 2020 pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro.

Eleutério revelou, ainda, que o editor de sua obra virá à Feira de Sharjah deste ano para negociar a publicação  a partir dos Emirados. “Nós já inserimos o livro em livrarias de Portugal e São Paulo e estamos tentando Itália. E agora está sendo feito esse trabalho também para viabilizar a publicação em Dubai”, detalhou.

Arquivo pessoal
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