Alexandre Rocha
São Paulo – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está investindo nos serviços de seus Centros Internacionais de Negócios (CINs), instalados junto às federações estaduais da indústria, para promover a internacionalização de pequenas empresas. A rede formada pelos centros cobre 25 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. O único estado que ainda não tem uma unidade é o Tocantins.
Entre as atividades dos centros está a promoção comercial, que inclui a participação de companhias brasileiras em eventos internacionais. Em 2006, a rede levou 35 empresas à Feira Industrial de Hannover, na Alemanha. Para 2007, estão programadas participações na Fruit Logistics, também na Alemanha; em um seminário internacional de negócios, em Maceió; na Expo Alimentos, de Porto Rico; na Expo Cruz, na Bolívia; e novamente na Feira de Hannover. "Nada impede que novos eventos sejam incluídos no calendário, inclusive nos Emirados Árabes Unidos", disse o gerente executivo da unidade de comércio exterior da CNI, José Frederico Álvares.
Ele destacou que o objetivo da participação nos eventos não é vender produtos, mas colocar as empresas em contato com mercados estrangeiros. "Nós usamos os eventos para fazer missões prospectivas", disse. "Nós selecionamos as empresas e levamos para eventos de determinado setor para que elas possam se expor internacionalmente, fazer contatos, conhecer seus concorrentes, novas tecnologias e processo de produção. São missões educativas", acrescentou.
Além da promoção comercial, os CINs oferecem serviços de assessoria e capacitação para empresas interessadas em fazer negócios lá fora, que incluem inteligência comercial e apoio às vendas. "Nosso serviço de inteligência comercial é bem instrumentado para orientar as empresas sobre qual tipo de mercado é o mais indicado em função do produto oferecido", disse Álvares.
A partir de 2007, a rede pretende ter também um banco de projetos de empresas brasileiras que possam interessar a investidores e eventuais parceiros estrangeiros. "A idéia é buscar no exterior parceiros para projetos conjuntos. Vamos identificar empresas brasileiras com este potencial, ver quais são as demandas delas e divulgá-las no exterior", afirmou Álvares.
Embora os CINs não imponham restrições ao tamanho das empresas, são geralmente as micro e pequenas que buscam os serviços. "Trata-se de um processo de seleção natural. Médias e grandes empresas dificilmente procuram estes serviços", afirmou Álvares. Companhias de maior porte geralmente buscam o mercado externo por conta própria.
De acordo com ele, os CINs existem desde 1998, mas só agora começaram a atuar como uma rede nacional. A primeira ação no exterior feita em grupo foi a participação na Feira de Hannover de 2006. "A rede permite a troca de experiência entre empresas de todo o país", disse.
A rede ainda não esteve em nenhum evento no mundo árabe, mas CINs estaduais já promoveram ações na região, como foi o caso do centro da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) que organizou entre outubro e novembro, em parceria com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, uma missão do setor de material de construção ao Catar, Emirados Árabes e Kuwait.

